Agricultura de precisão e inteligência artificial ajudam a reduzir uso de agrotóxicos no campo
Startups agtechs brasileiras exportam soluções digitais para monitoramento de lavouras

Inteligência artificial no campo
Julho consolidou o avanço de soluções de inteligência artificial aplicadas ao monitoramento de lavouras no Brasil, com startups de agtech nacionais ganhando espaço tanto no mercado interno quanto em exportação de tecnologia para outros países produtores de commodities agrícolas. Plataformas que cruzam imagens de satélite, dados climáticos e sensores instalados em campo passaram a oferecer recomendações automatizadas sobre a necessidade de aplicação de defensivos agrícolas, com potencial de reduzir significativamente o uso de agrotóxicos por hectare.
Cooperativas do Sul do país, tradicionalmente mais organizadas em torno de tecnologia, relataram redução expressiva no número de aplicações de fungicidas e inseticidas em lavouras que adotaram sistemas de monitoramento preditivo, que identificam o momento exato de maior risco de pragas e doenças em vez de seguir calendários fixos de aplicação — prática ainda comum em parte do território nacional.
Exportação de tecnologia brasileira
O Brasil, historicamente importador de tecnologia agrícola, passou a exportar soluções digitais desenvolvidas por startups nacionais para países vizinhos da América Latina e também para operações agrícolas na África, em um movimento que representantes do setor descreveram como amadurecimento do ecossistema de inovação do agronegócio brasileiro. Investidores de capital de risco especializados em agtechs relataram aumento no volume de aportes destinados a empresas com soluções voltadas à redução do uso de insumos químicos.
O movimento ocorreu em paralelo ao debate público sobre uso de agrotóxicos no Brasil, um dos maiores consumidores mundiais do produto por área plantada. Para especialistas do setor, a adoção de tecnologia de precisão representa um caminho possível para conciliar produtividade elevada — marca registrada do agronegócio brasileiro nos últimos anos — com exigências crescentes de sustentabilidade impostas tanto por mercados internacionais quanto pela legislação ambiental doméstica.
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