Boi gordo e exportações de carne bovina à China sustentam recorde de receita do agronegócio

Pecuária de corte se beneficia de reabertura de frigoríficos e demanda chinesa aquecida

Por Rogério Vidal· 05 de março de 2026· 5 min de leitura
Boi gordo e exportações de carne bovina à China sustentam recorde de receita do agronegócio

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Demanda chinesa sustenta preços

A pecuária de corte brasileira viveu um março de resultados robustos, com a arroba do boi gordo mantendo patamar elevado e as exportações de carne bovina à China batendo novos recordes mensais. A reabertura de habilitações de frigoríficos brasileiros para exportação ao mercado chinês, processo conduzido ao longo dos últimos anos pelo Ministério da Agricultura, ampliou o número de plantas aptas a vender diretamente ao país asiático, maior comprador da carne brasileira.

O resultado consolidou o Brasil como principal fornecedor de carne bovina para a China, à frente de concorrentes como Austrália e Estados Unidos, beneficiado por preço mais competitivo e por escala de produção crescente. Frigoríficos relataram dificuldade para atender integralmente à demanda internacional sem pressionar o abastecimento do mercado interno, o que também contribuiu para preços mais firmes da carne nos supermercados brasileiros.

Intensificação como caminho

Diante da demanda aquecida, associações do setor pecuário reforçaram o discurso de intensificação da produção como alternativa à abertura de novas áreas de pastagem, defendendo investimentos em recuperação de pastagens degradadas e em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. A estratégia é apresentada pelo setor como resposta tanto à pressão ambiental internacional quanto à necessidade de aumentar a produtividade por hectare, dado o limite de expansão territorial da atividade.

O momento favorável também impulsionou investimentos em rastreabilidade individual do rebanho, exigência cada vez mais comum entre compradores internacionais preocupados com origem e sustentabilidade da carne. Pecuaristas que já operavam com rastreabilidade completa relataram acesso a contratos premium, com ágio sobre o preço médio da arroba, sinalizando uma tendência de segmentação crescente do mercado pecuário brasileiro entre commodity tradicional e carne certificada.

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