Boi gordo sobe e pecuaristas comemoram melhor abril em anos
Preço da arroba avança com demanda externa aquecida e oferta mais enxuta

Arroba em alta
O mercado de boi gordo viveu um abril de preços favoráveis para os pecuaristas brasileiros. A arroba negociada nas principais praças do país, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, avançou impulsionada por uma combinação de fatores: oferta mais restrita de animais prontos para abate, resultado do ciclo de retenção de fêmeas em anos anteriores, e demanda internacional aquecida, sobretudo da China, maior compradora da carne bovina brasileira.
Frigoríficos relataram dificuldade para formar escala de abate em algumas regiões, o que pressionou ainda mais os preços pagos ao produtor. Para pecuaristas, o momento representou alívio após períodos de margens apertadas, especialmente aqueles que investiram em tecnologias de confinamento e suplementação a pasto para acelerar o ganho de peso dos animais.
Exportações e rastreabilidade
A carne bovina brasileira seguiu ganhando espaço em mercados como Estados Unidos, Oriente Médio e Sudeste Asiático, além da China. O avanço das exigências de rastreabilidade individual do rebanho, puxado tanto por exigências sanitárias quanto por compromissos ambientais assumidos por frigoríficos, começou a se tornar critério cada vez mais relevante para acesso a mercados premium.
Associações do setor pecuário destacaram que o momento de preços elevados deveria ser aproveitado para investimentos em genética e manejo, de forma a sustentar ganhos de produtividade no médio prazo. Ao mesmo tempo, cresceu a preocupação com o avanço da pecuária sobre áreas de pastagem degradada, tema que ganhou força em debates sobre intensificação produtiva como alternativa à abertura de novas áreas, sobretudo diante da pressão internacional por práticas mais sustentáveis na cadeia da carne.
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