Café bate recordes de preço e produtores de Minas Gerais colhem os melhores resultados em anos
Cotações da arábica disparam na bolsa de Nova York e elevam a renda de cafeicultores

Cotações em alta histórica
Março consolidou uma das maiores altas já registradas no mercado internacional de café. Contratos futuros da variedade arábica negociados na bolsa de Nova York atingiram patamares recordes, impulsionados por quebras de safra em países concorrentes, como o Vietnã, e por estoques mundiais historicamente baixos. No Brasil, maior produtor e exportador global do grão, cafeicultores de Minas Gerais — responsável por cerca de metade da produção nacional — relataram os melhores preços em anos.
Cooperativas da região do Cerrado Mineiro e da Zona da Mata informaram aumento expressivo na receita de associados, mesmo com produtividade apenas estável em relação à safra anterior. O cenário favoreceu especialmente pequenos e médios produtores, que conseguiram negociar parte da produção futura a preços considerados historicamente altos, reduzindo a pressão de custos elevados com fertilizantes e mão de obra.
Impacto na cadeia e no consumo interno
A valorização do café no mercado externo também se refletiu no preço ao consumidor brasileiro, com o produto figurando entre os itens de maior alta nos supermercados no início do ano. Torrefadoras nacionais relataram dificuldade para repassar integralmente os custos, o que pressionou margens da indústria mesmo em um momento de bonança para o produtor rural.
O momento favorável reacendeu debates sobre a necessidade de expansão da área cultivada e de renovação de lavouras envelhecidas, sobretudo diante da concorrência crescente do Vietnã na variedade robusta. Associações de cafeicultores defenderam ampliação de linhas de crédito específicas para renovação de cafezais e irrigação, apontando o momento como oportunidade para o setor se capitalizar e investir em produtividade de longo prazo, reduzindo a vulnerabilidade a eventos climáticos como geadas e secas, que nos últimos anos causaram quebras expressivas em Minas Gerais e no Espírito Santo.
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