Café exportado cai em volume mas bate recorde de receita de US$ 15,6 bilhões em 2025

Cecafé confirma que tarifaço dos EUA reduziu embarques, mas preços recordes compensaram queda

Por Fernanda Kloh· 05 de janeiro de 2026· 9 min de leitura
Café exportado cai em volume mas bate recorde de receita de US$ 15,6 bilhões em 2025

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Receita recorde apesar da queda no volume

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) confirmou, em janeiro, que o país exportou 40 milhões de sacas de 60 quilos ao longo de 2025, volume 20,8% menor que o registrado em 2024. Apesar da retração física, a receita obtida com as exportações bateu recorde histórico, somando US$ 15,6 bilhões, alta de 24,1% em relação ao ano anterior — resultado direto da disparada nos preços internacionais do grão ao longo do ano.

A entidade atribuiu a queda no volume exportado tanto à menor disponibilidade de café após o recorde de embarques em 2024 quanto ao chamado "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos, que afetou parte das vendas ao mercado americano, historicamente um dos principais compradores do café brasileiro. Mesmo assim, os preços elevados mais que compensaram a perda de mercado, garantindo à cafeicultura nacional seu melhor resultado financeiro já registrado.

Perspectivas para cafeicultores

Para produtores de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, o resultado consolidou um dos ciclos mais rentáveis das últimas décadas, permitindo investimentos represados em renovação de lavouras, irrigação e expansão de área — movimentos que, segundo cooperativas da região, devem se refletir em aumento de produtividade nos próximos anos. A perspectiva de preços elevados também atraiu novos entrantes ao setor, incluindo produtores que migraram de outras culturas em busca de melhor rentabilidade.

Analistas de mercado, no entanto, alertaram para o risco de correção nos preços internacionais caso a produção mundial se recupere nos próximos ciclos, especialmente diante de expectativa de safra maior no Vietnã. A recomendação de entidades do setor foi de que produtores aproveitassem o momento favorável para reduzir endividamento e investir em resiliência climática, dado o histórico de geadas e estiagens que afetaram fortemente a cafeicultura brasileira em anos recentes.

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