Colheita de soja avança em ritmo recorde no Mato Grosso

Clima favorável e área plantada maior projetam nova safra histórica de grãos

Por Marcos Feitosa· 05 de janeiro de 2025· 5 min de leitura
Colheita de soja avança em ritmo recorde no Mato Grosso

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Ritmo acelerado no Centro-Oeste

Em janeiro, a colheita da soja avançou em ritmo mais rápido do que a média histórica em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão. Dados de consultorias privadas indicavam que, até o fim do mês, cerca de um quarto da área plantada no estado já havia sido colhida, impulsionada por um verão com chuvas bem distribuídas — cenário oposto ao observado em safras anteriores, marcadas por veranicos prolongados.

A expectativa de produtores e analistas era de que a safra 2024/2025 confirmasse a tendência de recorde histórico, com produtividade elevada em praticamente todas as regiões produtoras. Em Goiás e no oeste da Bahia, colhedoras também começaram a operar mais cedo, aproveitando a antecipação do plantio realizada em outubro e novembro.

O bom desempenho da lavoura, porém, veio acompanhado de preços internacionais ainda pressionados. Com estoques mundiais elevados e forte concorrência da produção argentina, cotações da soja na bolsa de Chicago permaneceram em patamares mais baixos do que os observados em 2022 e 2023, levando produtores a negociar parte da safra futura via contratos antecipados para reduzir a exposição a novas quedas.

Logística e escoamento

A colheita antecipada também trouxe desafios logísticos: portos do Arco Norte, como Barcarena e Itaqui, registraram aumento no volume de caminhões e composições ferroviárias já em janeiro, mês em que normalmente o movimento é mais tímido. Produtores do Matopiba, que dependem fortemente da Ferrovia Norte-Sul e de rodovias em obras, relataram filas em alguns trechos, reforçando o debate sobre a necessidade de investimentos adicionais em infraestrutura para acompanhar o crescimento da produção.

Cooperativas agrícolas também intensificaram a divulgação de práticas de manejo de solo e rotação com milho safrinha, cultura que passou a ocupar área ainda maior após a colheita da soja, em um movimento que já se consolidou como estratégia de diversificação de renda para produtores do Centro-Oeste e do Paraná.

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