Colheita de soja começa mais cedo no Mato Grosso em meio a temores de nova quebra de preços
Produtores antecipam colheita para aproveitar janela climática e escoar grãos antes das chuvas

Antecipação estratégica
A colheita da nova safra de soja começou mais cedo em fevereiro no Mato Grosso, movimento impulsionado tanto por condições climáticas favoráveis no início do ciclo quanto pelo temor de produtores de que uma nova quebra nos preços internacionais os pegasse com estoques elevados durante o pico da colheita. Trading companies relataram aumento na formação de estoques em silos e armazéns já nas primeiras semanas do mês, sinal de que parte da safra vinha sendo negociada de forma antecipada.
O receio de nova pressão sobre preços tinha origem na expectativa de mais uma safra recorde no país, somada à recuperação da produção argentina, concorrente direta do Brasil em mercados como China e União Europeia. Produtores que investiram fortemente em expansão de área nos últimos ciclos monitoravam de perto o comportamento das cotações na bolsa de Chicago, buscando janelas de venda antes de eventual acúmulo de oferta global.
Logística sob pressão
A antecipação da colheita também testou a capacidade logística de portos e ferrovias, que historicamente enfrentam maior movimento a partir de março. Terminais do Arco Norte, que ganharam relevância nos últimos anos como alternativa aos portos do Sudeste, voltaram a operar próximos da capacidade máxima, reforçando o debate sobre a necessidade de novos investimentos em armazenagem e escoamento para acompanhar o crescimento contínuo da produção nacional de grãos.
Cooperativas da região also destacaram que a colheita adiantada abriu espaço para um plantio de milho safrinha também antecipado, com produtores buscando aproveitar a janela climática mais segura para garantir produtividade da segunda safra, cultura que já responde por parcela relevante da produção nacional de milho e da renda de produtores do Centro-Oeste.
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