Relatórios globais apontam crescimento resiliente, mas com divergência crescente entre bancos centrais
Banco Mundial e Wells Fargo destacam economia mundial perto de 3% de crescimento, com EUA fortes e China e Índia desacelerando, enquanto espaço para cortes de juros se estreita nos países desenvolvidos

Uma série de relatórios divulgados por instituições financeiras internacionais em fevereiro de 2026 traçou um retrato da economia mundial marcado por resiliência agregada, mas também por divergências regionais cada vez mais acentuadas. O boletim mensal do Banco Mundial, o "Global Monthly", destacou que os dados recentes sugeriam continuidade da resiliência econômica global, ainda que com sinais iniciais de enfraquecimento em alguns países específicos, num contexto em que o comércio internacional havia se mostrado surpreendentemente resistente aos anos de disputas tarifárias.
Análise do banco americano Wells Fargo, por sua vez, apontou que o crescimento global se mantinha próximo de 3% ao ano, mas destacou uma "divergência de políticas" cada vez mais ampla entre os principais bancos centrais do mundo. Segundo o relatório, a força persistente da economia americana deixava menos espaço para novos cortes de juros pelo Fed do que o observado na maioria dos demais bancos centrais de países desenvolvidos, ao passo que economias emergentes, de forma geral, ainda mantinham margem para reduzir suas taxas básicas.
China e Índia perdem fôlego
Entre os riscos "idiossincráticos" identificados nos relatórios, ganhou destaque a desaceleração simultânea de China e Índia, as duas economias emergentes de maior peso relativo no crescimento global ao longo da década anterior. Analistas atribuíram o arrefecimento chinês a uma combinação de fragilidade persistente no setor imobiliário e efeitos residuais da guerra comercial com os Estados Unidos, ainda que parcialmente amenizada pelas tréguas fechadas ao longo de 2025. No caso indiano, as tarifas elevadas impostas por Washington em agosto do ano anterior continuavam a pesar sobre setores exportadores relevantes da economia do país.
Otimismo do Citigroup com resiliência global
Em contraponto a esse cenário mais cauteloso, análise do banco Citigroup, divulgada no fim de fevereiro, defendeu que o crescimento global havia demonstrado "resiliência mais notável do que nunca", mantendo desempenho próximo à tendência histórica apesar de repetidos choques ao longo dos últimos dois anos. Segundo essa leitura mais otimista, a inflação global havia recuado de forma consistente e permanecia contida o suficiente para permitir que a maioria dos bancos centrais mantivesse uma postura de flexibilização monetária gradual ao longo de 2026.
Um equilíbrio ainda instável
Analistas do Goldman Sachs, em relatório de previsões para as maiores economias do mundo, projetaram crescimento global de 2,9% para 2026, impulsionado por maior gasto fiscal em diversos países, queda gradual das taxas de juros e redução do impacto agregado das tarifas sobre o comércio internacional. O consenso entre as diferentes instituições, porém, era de que esse equilíbrio permanecia frágil, dependente da ausência de novos choques geopolíticos que pudessem, a qualquer momento, reverter a trajetória de estabilização observada nos primeiros meses do ano.
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