Fed mantém juros pela quinta vez seguida e resiste à pressão de Trump por cortes imediatos
Powell cita incerteza das tarifas e riscos inflacionários para justificar pausa, enquanto mercado reduz apostas em corte de juros em setembro após discurso mais duro

O Federal Reserve decidiu, em 30 de julho de 2025, manter a taxa básica de juros americana no intervalo entre 4,25% e 4,50% ao ano pela quinta reunião consecutiva, ignorando os repetidos apelos públicos do presidente Donald Trump por cortes imediatos e mais agressivos. A decisão não foi unânime — episódio raro na história recente do comitê —, evidenciando divergências internas sobre o melhor caminho diante de um cenário de tarifas elevadas e inflação ainda pressionada.
Em coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que as tarifas impostas ao longo do ano já começavam a se refletir nos preços ao consumidor americano, mas que era preciso mais tempo e dados para avaliar com precisão o tamanho desse repasse antes de arriscar um corte prematuro de juros. A declaração reduziu as apostas do mercado financeiro em um corte já na reunião de setembro, provocando reação imediata nos contratos futuros de juros e no dólar, que se fortaleceu globalmente.
Tensão inédita entre Trump e o Fed
O episódio ocorreu em meio a um contexto de tensão pública sem precedentes recentes entre a Casa Branca e o banco central americano. Dias antes da decisão, Trump havia visitado pessoalmente as obras de reforma da sede do Fed em Washington, criticando os custos da obra em tom que analistas interpretaram como parte de uma pressão mais ampla para desgastar a autonomia de Powell, cujo mandato à frente da instituição se encerraria em 2026. A visita, amplamente fotografada, simbolizou o desconforto crescente entre o Executivo e uma instituição historicamente blindada de interferência política direta.
Mercados na expectativa de setembro
Analistas de bancos como o Itaú e comentaristas internacionais passaram a apostar que a resistência de Powell seria temporária, e que o Fed retomaria os cortes de juros já na reunião de setembro, à medida que sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano se acumulassem. A postura cautelosa de julho, contudo, deixou claro que o banco central americano não cederia à pressão política de forma automática, priorizando a leitura técnica dos dados de inflação e emprego sobre o calendário político do governo.
Repercussão global
A manutenção dos juros americanos em patamar elevado por mais tempo do que o inicialmente esperado teve efeitos diretos sobre economias emergentes, que viram o custo de captação em dólar permanecer alto e o fluxo de capital para mercados de risco mais contido. No Brasil, o episódio reforçou a cautela do Banco Central em relação ao ritmo de eventuais cortes na Selic, já que um Fed mais duro tende a limitar o espaço de política monetária de países como o brasileiro, historicamente sensíveis às decisões tomadas em Washington.
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