FMI reduz previsão de crescimento global para 3% em 2026, mas eleva projeções para Brasil e China
Fundo cita guerra no Oriente Médio, fragmentação comercial e possível correção nas expectativas sobre inteligência artificial como principais riscos, projetando recuperação a 3,4% em 2027

O Fundo Monetário Internacional divulgou, em 8 de julho de 2026, sua mais recente atualização do World Economic Outlook, revisando para baixo a projeção de crescimento da economia global em 2026 para 3%, ante estimativas ligeiramente mais otimistas apresentadas meses antes. O ajuste, descrito pela instituição como "modesto" mas significativo, refletia principalmente os efeitos persistentes da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de energia e a inflação mundial, embora o documento tenha destacado que parte desse impacto negativo estava sendo parcialmente compensado pela demanda acelerada associada aos investimentos em inteligência artificial ao redor do mundo.
Segundo a economista-chefe do FMI, citada em entrevista coletiva em Washington, os três principais riscos identificados pelo relatório para a trajetória futura da economia mundial eram a continuidade ou escalada do conflito no Oriente Médio, a persistência da fragmentação do comércio internacional decorrente de dois anos de disputas tarifárias, e a possibilidade de uma correção abrupta nas expectativas excessivamente otimistas do mercado financeiro em relação aos retornos dos investimentos bilionários em inteligência artificial.
Brasil e China surpreendem positivamente
Em contraste com a revisão global para baixo, o FMI elevou suas projeções específicas de crescimento para o Brasil e para a China, reconhecendo um desempenho econômico melhor do que o inicialmente esperado em ambos os países ao longo do primeiro semestre de 2026. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a melhora na projeção brasileira refletia, entre outros fatores, a resiliência do agronegócio e a recomposição parcial do comércio exterior brasileiro em meio à reconfiguração das cadeias globais provocada pela guerra comercial dos últimos dois anos.
Recuperação prevista para 2027
O documento do FMI projetou uma recuperação do crescimento mundial para 3,4% em 2027, condicionada, contudo, a uma resolução — ainda que parcial — do conflito no Oriente Médio e a uma estabilização mais duradoura das relações comerciais entre as principais potências econômicas globais. Analistas ponderaram, porém, que essa projeção de recuperação carregava um grau elevado de incerteza, dado o histórico recente de choques sucessivos e inesperados que haviam marcado a economia mundial desde o início de 2025.
Debate sobre tarifas e política monetária
O mesmo mês registrou declarações do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, minimizando o efeito das decisões tarifárias americanas sobre a política de juros do Fed, avaliação que contrastava com a leitura de boa parte dos economistas de mercado, que seguiam atribuindo parte relevante da inflação persistente ao repasse gradual das tarifas aos preços ao consumidor americano. Passados dezenove meses do início do "tarifaço" de abril de 2025, a economia mundial de julho de 2026 seguia, assim, marcada pela mesma combinação de fatores que havia definido praticamente todo o período: tensões comerciais, riscos geopolíticos e um processo lento e incerto de recomposição do crescimento global.
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