Trump dispara tarifas contra México, Canadá e China e inaugura guerra comercial de fato

Tarifas de 25% sobre vizinhos norte-americanos e taxas adicionais à China provocam retaliações imediatas e acendem alerta de recessão global entre economistas

Por Rodrigo Almeida Neto· 05 de fevereiro de 2025· 7 min de leitura
Trump dispara tarifas contra México, Canadá e China e inaugura guerra comercial de fato

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Depois de um mês de expectativa, fevereiro de 2025 marcou a virada da retórica para a prática na política comercial de Donald Trump. O presidente americano cumpriu a ameaça feita ainda na campanha e assinou ordens executivas impondo tarifas de 25% sobre praticamente todas as importações vindas do Canadá e do México, além de uma sobretaxa adicional sobre produtos chineses, sob a justificativa de combater o tráfico de fentanil e a imigração irregular.

A resposta dos parceiros comerciais foi imediata. O primeiro-ministro canadense anunciou tarifas de retaliação equivalentes sobre bens americanos, enquanto o México sinalizou medidas semelhantes antes de as negociações de última hora adiarem parcialmente a aplicação das tarifas sobre alguns produtos. A China, por sua vez, prometeu contramedidas e acionou a Organização Mundial do Comércio, embora tenha evitado, naquele primeiro momento, uma escalada tão agressiva quanto a dos vizinhos norte-americanos dos Estados Unidos.

Estudos apontam risco de recessão

Um estudo do banco Bradesco, amplamente repercutido na imprensa brasileira, estimou que a guerra comercial iniciada por Trump poderia reduzir o PIB global em até 2,1 pontos percentuais ao longo dos quatro anos seguintes, além de pressionar a inflação e o emprego em escala mundial. Analistas do Valor Econômico classificaram o episódio como o "início de uma guerra comercial destrutiva", capaz de gerar um ciclo de aversão a risco e maior volatilidade nos mercados financeiros por tempo prolongado.

Do ponto de vista prático, a medida gerou efeitos imediatos sobre cadeias produtivas fortemente integradas, como a automotiva na América do Norte, que depende de peças que cruzam a fronteira entre os três países diversas vezes antes de chegar ao produto final. Empresas anunciaram revisões de investimento e, em alguns casos, aumento de preços repassado ao consumidor americano, contradizendo a promessa de campanha de Trump de que as tarifas seriam pagas pelos exportadores estrangeiros e não pelos consumidores domésticos.

Reverberação nos emergentes

Para economias emergentes, o temor era duplo: de um lado, o risco de verem suas próprias exportações atingidas por tarifas futuras; de outro, o impacto indireto de uma desaceleração do comércio global e do fortalecimento do dólar, que encarece o financiamento externo. No Brasil, o Banco Central passou a monitorar de perto os desdobramentos da disputa, temendo efeitos sobre a inflação importada e sobre o fluxo de capitais, num momento em que o país já enfrentava pressões fiscais e cambiais internas. Fevereiro de 2025, assim, consolidou-se como o mês em que a "guerra tarifária" deixou de ser hipótese para se tornar a principal força desestabilizadora da economia mundial.

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