Guerra no Irã se agrava, Estreito de Ormuz vira campo de batalha econômica e petróleo dispara

EUA tentam formar coalizão internacional para reabrir rota vital de energia após Irã minar o estreito e cobrar 'pedágio' de navios, enquanto Banco Mundial prevê maior alta de preços de energia em quatro anos

Por Otávio Ribeiro Cavalcante· 05 de abril de 2026· 7 min de leitura
Guerra no Irã se agrava, Estreito de Ormuz vira campo de batalha econômica e petróleo dispara

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

O conflito entre Estados Unidos e Irã, que já se arrastava havia meses, atingiu um novo patamar de gravidade em abril de 2026, quando Teerã passou a minar trechos do Estreito de Ormuz e a cobrar um "pedágio" de navios que buscavam atravessar a estreita passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. A medida, sem precedentes na história recente do conflito, provocou disparada imediata nos preços internacionais do petróleo e levou os Estados Unidos a buscar formar uma coalizão internacional para tentar reabrir a rota à navegação segura.

Forças americanas chegaram a abordar, em 23 de abril, um navio que transportava petróleo iraniano no Oceano Índico, enquanto o presidente Donald Trump autorizou disparos contra minas identificadas no estreito, numa escalada operacional que ampliava significativamente o risco de confronto direto e prolongado na região. Em meio à crise, o Irã sinalizou disposição de negociar a reabertura da rota em troca do fim do bloqueio naval imposto pelos americanos e de um encerramento formal das hostilidades, segundo apuração da agência Associated Press.

Banco Mundial prevê maior alta de energia em quatro anos

Em relatório divulgado em 28 de abril, o Banco Mundial projetou que a guerra no Oriente Médio provocaria a maior alta nos preços de energia dos últimos quatro anos, com estimativa de aumento de até 24% nos preços do petróleo e gás ao longo do ano, impulsionando o índice geral de preços de commodities em cerca de 16%. O documento alertou que esse choque energético tenderia a pressionar a inflação global e a desacelerar o crescimento mundial, revertendo parte da trajetória de estabilização observada nos meses anteriores.

Reação da Opep e fragmentação geopolítica

O conflito também provocou fissuras dentro da própria estrutura de cooperação entre países produtores de petróleo: os Emirados Árabes Unidos sinalizaram intenção de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e a aliança ampliada Opep+, que reúne também a Rússia, em meio a divergências sobre a resposta coletiva à crise no estreito. A movimentação, incomum para os padrões históricos da organização, foi interpretada por analistas como reflexo da pressão extrema exercida pelo conflito sobre os interesses econômicos distintos dos países produtores da região.

Efeitos sobre economias importadoras

Para países fortemente dependentes da importação de petróleo, o choque de abril representou um risco inflacionário significativo, num momento em que muitos bancos centrais ao redor do mundo já avançavam em seus ciclos de corte de juros. Analistas alertaram que uma escalada prolongada do conflito, com bloqueio persistente do Estreito de Ormuz, poderia forçar diversas autoridades monetárias a interromper ou até reverter cortes recentes, criando um dilema semelhante ao vivido por bancos centrais em choques de oferta de petróleo anteriores, quando o combate à inflação precisou ser priorizado mesmo às custas do crescimento econômico.

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