Guerra entre Israel e Irã dispara temor de choque no petróleo e ameaça reacender inflação global
Ataques israelenses a instalações petrolíferas iranianas e posterior entrada dos EUA no conflito elevam preços do barril e acendem alerta sobre o Estreito de Ormuz, rota vital do comércio de energia

O mês de junho de 2025 foi dominado pela escalada militar entre Israel e Irã, que rapidamente se transformou também em uma crise econômica de alcance global. Após Israel atacar refinarias e instalações de armazenamento de petróleo em Teerã, alegando necessidade de neutralizar o programa nuclear iraniano, o conflito ganhou nova dimensão com a entrada direta dos Estados Unidos nos bombardeios contra alvos no território do Irã, país que responde por cerca de 5% da produção mundial de petróleo bruto.
O mercado internacional de commodities reagiu com forte volatilidade. Analistas citados por veículos como a Exame chegaram a projetar que, em cenário de escalada máxima — com bloqueio total do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo —, o barril de petróleo poderia disparar para até US$ 150, patamar que não era visto desde os choques do início dos anos 2000. Ainda que esse cenário extremo não tenha se concretizado imediatamente, os preços do Brent registraram altas expressivas ao longo do mês, pressionando bolsas de valores e moedas de países importadores de energia.
Efeitos sobre o bolso do brasileiro
No Brasil, analistas do mercado financeiro alertaram que a escalada no Oriente Médio poderia se traduzir rapidamente em aumento do preço da gasolina e do diesel, dado o mecanismo de precificação da Petrobras atrelado, em parte, às cotações internacionais. O impacto inflacionário potencial preocupava o Banco Central brasileiro, que já vinha conduzindo um ciclo de juros elevados para conter pressões domésticas, e agora via um novo risco externo se somar ao quadro.
Risco geopolítico vira variável econômica central
Colunistas econômicos destacaram que o episódio ilustrava como riscos geopolíticos haviam se tornado, ao longo de 2025, uma das principais variáveis a explicar a volatilidade dos mercados financeiros globais, ao lado — e muitas vezes interagindo com — a guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos meses antes. A combinação de tarifas elevadas, incerteza sobre cadeias de suprimentos e agora um conflito armado com potencial de interromper o fluxo global de energia criava um ambiente inédito de múltiplos choques simultâneos.
Ao fim de junho, embora um cessar-fogo frágil tenha sido costurado sob mediação americana, o mercado permanecia em alerta, ciente de que o conflito havia introduzido um prêmio de risco permanente sobre o preço da energia — um fator que se mostraria decisivo, meses depois, para explicar por que a inflação global demorou mais do que o esperado para ceder, mesmo com o arrefecimento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
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