Guerra no Irã completa três meses sem solução e ONU reduz projeção de crescimento global para 2,5%

Organização cita pressão sobre energia, inflação mais alta e aumento da incerteza como fatores por trás do corte na previsão, enquanto analistas descartam vitória proclamada por Trump no conflito

Por Isabela Torquato Menezes· 05 de maio de 2026· 6 min de leitura
Guerra no Irã completa três meses sem solução e ONU reduz projeção de crescimento global para 2,5%

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

O conflito armado entre Estados Unidos e Irã completou, no fim de maio de 2026, três meses de duração sem qualquer sinal concreto de resolução, consolidando-se como o principal fator de instabilidade da economia mundial no primeiro semestre do ano. Em análise publicada em 28 de maio, o jornal Valor Econômico descreveu o conflito como tendo "entrado em ponto crítico", no qual nenhuma das partes demonstrava disposição real para ceder, apesar das declarações públicas do presidente Donald Trump sobre uma suposta vitória americana na disputa.

Analistas ouvidos pela reportagem descartaram as afirmações de vitória feitas por Trump, avaliando que o conflito permanecia, na prática, num impasse estratégico, com o Irã mantendo capacidade de causar disrupções pontuais no Estreito de Ormuz mesmo sob intensa pressão militar americana. Essa avaliação mais cética contrastava com o discurso oficial da Casa Branca, que buscava capitalizar politicamente os ataques realizados nos meses anteriores como um sucesso da política externa americana.

ONU revisa projeção de crescimento global

Em 20 de maio, a Organização das Nações Unidas divulgou relatório revisando para baixo sua projeção de crescimento da economia mundial em 2026, de estimativas anteriores próximas a 3% para 2,5%, citando diretamente os efeitos da crise no Oriente Médio sobre o fornecimento global de energia. O documento, segundo a Euronews, apontava riscos crescentes de uma espiral em que preços mais altos de energia alimentavam inflação mais persistente, que por sua vez limitava o espaço de bancos centrais para sustentar políticas de estímulo ao crescimento.

FMI e Banco Mundial alertam sobre energia

Em declaração conjunta reproduzida pela agência Reuters, representantes do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de outras instituições multilaterais alertaram que a guerra no Oriente Médio prejudicava de forma significativa o fornecimento global de energia, com efeitos que já se refletiam em preços mais altos de combustíveis em diversas regiões do mundo, da Europa à América Latina, incluindo o Brasil, onde o mercado monitorava de perto os efeitos sobre a política de preços da Petrobras.

Um trimestre perdido para a normalização

Para economistas, os três primeiros meses do conflito representaram um "trimestre perdido" no processo mais amplo de normalização da economia global após os choques da guerra comercial de 2025. A combinação de inflação de energia mais alta, juros ainda elevados em diversas economias desenvolvidas e um conflito geopolítico sem data prevista para terminar levava analistas a alertar que o segundo semestre de 2026 poderia repetir, em nova versão, o padrão de instabilidade permanente que já havia caracterizado praticamente todo o ano anterior.

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