OCDE alerta que conflito no Oriente Médio testará a resiliência da economia global em relatório de março
Documento intitulado 'Testando a Resiliência' aponta custos humanos e econômicos da escalada envolvendo Irã, enquanto Fed revisa projeções em meio a temores de choque energético prolongado

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou, em 26 de março de 2026, seu relatório interino intitulado "Testando a Resiliência" (Testing Resilience), no qual alertava que a evolução do conflito armado no Oriente Médio, envolvendo diretamente o Irã, representava um teste decisivo para a capacidade de adaptação da economia global após anos de choques sucessivos. O documento apontou que a escalada militar já impunha custos humanos e econômicos significativos aos países diretamente envolvidos, com risco real de transbordamento para o restante do mundo por meio do mercado de energia.
Segundo a OCDE, a principal preocupação residia na possibilidade de o conflito afetar de forma prolongada rotas críticas de transporte de petróleo e gás no Golfo Pérsico, o que poderia gerar um choque de oferta energética capaz de reacender pressões inflacionárias globais justamente no momento em que diversos bancos centrais avançavam em seus ciclos de corte de juros. O relatório recomendava que os formuladores de política econômica mantivessem flexibilidade suficiente para reagir rapidamente a esse cenário, sem, contudo, abandonar prematuramente a trajetória de normalização monetária em curso.
Fed divulga novas projeções em meio à incerteza
No mesmo mês, o Federal Reserve divulgou, em 18 de março, seu resumo trimestral de projeções econômicas, elaborado durante a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto. O documento trouxe estimativas atualizadas de crescimento do PIB, taxa de desemprego e inflação para os Estados Unidos entre 2026 e 2028, refletindo já os primeiros efeitos incorporados pelos membros do comitê em relação à escalada de tensões no Oriente Médio sobre o custo da energia e, por consequência, sobre a trajetória de preços doméstica americana.
KPMG cita "efeito borboleta" da geopolítica
Em análise publicada no início de março, economistas da consultoria KPMG utilizaram a metáfora do "efeito borboleta" — popularizada pelo filme Jurassic Park — para descrever como pequenos eventos geopolíticos podiam gerar consequências econômicas amplificadas e imprevisíveis em escala global. O texto argumentava que a economia mundial, em 2026, havia se tornado especialmente vulnerável a esse tipo de dinâmica, dada a acumulação de choques simultâneos ao longo dos últimos dois anos: guerra comercial, mudanças na condução da política monetária americana e agora um conflito armado de grandes proporções no Oriente Médio.
Wells Fargo detalha impacto do choque de oferta
Relatório da Wells Fargo, divulgado em 12 de março, foi ainda mais específico ao quantificar os efeitos do conflito sobre o mercado de petróleo, estimando interrupções da ordem de três a quatro milhões de barris por dia e alertando que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz poderia dobrar essas perdas de oferta. Segundo o banco, mesmo num cenário de petróleo ao redor de US$ 85 o barril, o impacto sobre o crescimento global em 2026 seria moderado, mas suficiente para elevar a inflação em economias desenvolvidas para acima de 3%, revertendo parte dos ganhos obtidos ao longo de dois anos de desinflação gradual.
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