Trump impõe tarifa de 50% à Índia por compras de petróleo russo e escala pressão sobre aliados

Medida, que soma tarifa extra de 25% à alíquota já em vigor, mira reduzir receita de guerra da Rússia mas ameaça exportadores indianos e reacende aproximação comercial entre Brasília e Nova Délhi

Por Thiago Nascimento Alves· 05 de agosto de 2025· 6 min de leitura
Trump impõe tarifa de 50% à Índia por compras de petróleo russo e escala pressão sobre aliados

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

O governo de Donald Trump intensificou, em agosto de 2025, sua estratégia de usar tarifas como instrumento de pressão geopolítica, e não apenas comercial. Em 6 de agosto, o presidente americano assinou ordem executiva impondo uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados da Índia, alegando que o país asiático financiava indiretamente o esforço de guerra russo na Ucrânia ao continuar comprando grandes volumes de petróleo russo com desconto. A medida, somada à tarifa recíproca já em vigor, elevou a alíquota total sobre exportações indianas para os Estados Unidos a 50%, um dos patamares mais altos aplicados a qualquer parceiro comercial relevante dos americanos.

A tarifa entrou plenamente em vigor no fim de agosto, atingindo em cheio setores como têxtil, joias e produtos farmacêuticos genéricos, historicamente fortes na pauta exportadora indiana. Segundo reportagem do Valor Econômico, a medida ameaçava prejudicar milhares de pequenos exportadores indianos e colocava em risco a expansão da economia então classificada como a que mais crescia entre as grandes nações do mundo.

Índia resiste e busca alternativas

O governo indiano, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, reagiu classificando a medida como "injusta e não razoável", especialmente porque países europeus continuavam a manter, em menor escala, relações comerciais com a Rússia sem sofrer punições equivalentes. Diplomatas indianos passaram a buscar ativamente novos mercados para escoar sua produção, processo que abriu espaço para uma aproximação inesperada com o Brasil: em conversa com o premiê indiano, o presidente Lula confirmou uma visita de Estado à Índia prevista para o início de 2026, com o objetivo declarado de ampliar o comércio bilateral entre os dois países, ambos afetados, ainda que de formas distintas, pela política tarifária americana.

Um instrumento de política externa

O episódio da Índia reforçou uma característica que já se consolidava ao longo de 2025: as tarifas de Trump deixaram de servir exclusivamente a objetivos de reequilíbrio comercial e passaram a funcionar também como ferramenta de pressão geopolítica, usada para influenciar a postura de outros países em temas de política externa, como a guerra na Ucrânia. Analistas internacionais alertaram que esse uso mais amplo das tarifas tornava ainda mais imprevisível o comportamento da política comercial americana, dificultando o planejamento de longo prazo por parte de empresas e governos ao redor do mundo.

Reverberações para o Brasil

Para o Brasil, que já enfrentava suas próprias tarifas específicas impostas por Washington meses antes, o episódio indiano reforçou a percepção de que nenhum parceiro comercial estava imune a se tornar alvo da política tarifária de Trump, independentemente do tamanho de sua economia ou da natureza de sua relação histórica com os Estados Unidos, consolidando um ambiente de incerteza permanente para o comércio internacional ao longo do segundo semestre de 2025.

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