'Tarifaço' de Trump provoca turbulência global e OMC projeta queda de até 7% no comércio mundial
Anúncio de tarifas recíprocas contra dezenas de países derruba bolsas, aumenta volatilidade cambial e leva FMI a alertar para enfraquecimento, mas não colapso, da economia mundial

Em 2 de abril de 2025, batizado por assessores da Casa Branca de "Dia da Libertação", Donald Trump anunciou o pacote mais amplo de tarifas recíprocas de sua gestão, atingindo praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos com alíquotas que variavam conforme o suposto desequilíbrio comercial bilateral. O anúncio, batizado pela imprensa de "tarifaço", provocou uma das maiores quedas em bolsas globais desde a pandemia de covid-19, com o índice S&P 500 perdendo trilhões de dólares em valor de mercado em poucos dias.
A Organização Mundial do Comércio divulgou, semanas depois, um estudo alertando que, em cenário extremo de escalada total das tensões comerciais, o comércio mundial poderia encolher em até 7%, com algumas economias sofrendo retrações superiores a 10% em seu comércio exterior. O documento, amplamente citado por veículos brasileiros, reforçou o temor de que a economia mundial estivesse à beira de uma fragmentação sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.
FMI modera o tom, mas alerta
Em contraponto ao alarmismo de mercado, o Fundo Monetário Internacional divulgou análise afirmando que as tarifas americanas não deveriam provocar, isoladamente, uma recessão global, mas certamente enfraqueceriam o ritmo de crescimento mundial nos anos seguintes. A avaliação, mais cautelosa que a da OMC, ainda assim revisou para baixo as projeções de crescimento de diversas economias, incluindo a chinesa e a europeia, historicamente mais expostas ao comércio internacional.
A China reagiu enviando cartas de protesto a parceiros comerciais ao redor do mundo, buscando construir uma frente coordenada contra o unilateralismo americano, ao mesmo tempo em que anunciava tarifas retaliatórias específicas sobre produtos agrícolas e industriais dos Estados Unidos. O colunista Martin Wolf, do Financial Times, descreveu o episódio como "o choque comercial de Trump atingindo a economia global", argumentando que o dano mais duradouro seria a erosão da confiança nas regras multilaterais de comércio construídas ao longo de oitenta anos.
Semanas de volatilidade extrema
Os dias seguintes ao anúncio foram marcados por reviravoltas: Trump chegou a suspender temporariamente parte das tarifas recíprocas para a maioria dos países por 90 dias, mantendo, contudo, a pressão máxima sobre a China. Essa dinâmica de anúncio-recuo-renegociação se tornaria a marca registrada da política comercial americana ao longo do ano, exigindo de investidores e formuladores de política econômica em todo o mundo uma capacidade de adaptação constante a um cenário que mudava, muitas vezes, de um dia para o outro.
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