Tarifas de 25% sobre aço e alumínio entram em vigor nos EUA e provocam represálias da UE e Canadá

Medida atinge US$ 150 bilhões em importações e leva Brasil a avaliar recorrer à OMC, enquanto siderúrgicas globais recalculam exportações para o mercado americano

Por Camila Duarte Ferreira· 05 de março de 2025· 6 min de leitura
Tarifas de 25% sobre aço e alumínio entram em vigor nos EUA e provocam represálias da UE e Canadá

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

No dia 12 de março de 2025, entraram em vigor as tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio anunciadas por Donald Trump, desta vez sem as isenções concedidas a aliados históricos que haviam marcado seu primeiro mandato. A medida, que segundo estimativas da Nikkei Asia deve incidir sobre cerca de US$ 150 bilhões em importações anuais dos Estados Unidos, atingiu simultaneamente parceiros comerciais tão distintos quanto Canadá, União Europeia, Coreia do Sul, Japão e Brasil.

A reação foi rápida e coordenada em vários fronts. A União Europeia anunciou tarifas retaliatórias sobre um pacote de produtos americanos avaliado em bilhões de euros, incluindo itens simbólicos como uísque bourbon e motocicletas Harley-Davidson. O Canadá, já em disputa com Washington desde fevereiro, ampliou sua lista de retaliações. A China, maior produtora mundial de aço, classificou a medida como protecionismo disfarçado e prometeu revide proporcional.

Impacto desigual sobre o Brasil

Para o Brasil, segundo maior fornecedor de aço bruto para o mercado americano, a tarifa representou um golpe direto sobre um setor que emprega dezenas de milhares de trabalhadores nas regiões siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo. O Ipea avaliou, contudo, que o impacto agregado sobre o PIB nacional seria limitado, dado o peso relativamente pequeno do setor no total das exportações brasileiras, embora tenha alertado para efeitos concentrados em municípios dependentes da cadeia siderúrgica. O governo brasileiro chegou a avaliar recorrer formalmente à Organização Mundial do Comércio contra a medida, embora reconhecesse as limitações práticas de tal disputa num contexto de enfraquecimento do órgão multilateral.

Um padrão que se repete

O episódio de março consolidou um padrão que se tornaria familiar ao longo do ano: tarifas amplas e não seletivas, aplicadas por categoria de produto e não por país de origem, dificultando negociações bilaterais de exceção. Analistas apontaram que essa abordagem, mais rígida que a de 2018, refletia uma decisão deliberada do governo Trump de evitar o "vazamento" de isenções que, segundo a Casa Branca, haviam esvaziado a eficácia das tarifas do primeiro mandato.

O mês também marcou o início de um processo mais amplo de reorganização de cadeias globais de metais, com produtores buscando novos mercados na Ásia e no Oriente Médio para escoar volumes antes destinados aos Estados Unidos. Para o mercado financeiro, a mensagem era clara: a "tarifa como instrumento permanente de política externa" havia deixado de ser retórica de campanha para se tornar prática consolidada, com desdobramentos que se estenderiam por todo o restante de 2025.

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