EUA e China fecham trégua tarifária em Genebra e reduzem temporariamente taxas recíprocas

Acordo de 90 dias corta tarifas de mais de 100% para patamares bem menores, mas mantém taxas setoriais sobre aço, alumínio e automóveis, deixando disputa estrutural sem solução

Por Patrícia Souza Lima· 05 de maio de 2025· 6 min de leitura
EUA e China fecham trégua tarifária em Genebra e reduzem temporariamente taxas recíprocas

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels

Depois de meses de escalada que levaram as tarifas recíprocas entre Estados Unidos e China a patamares acima de 100% sobre determinadas categorias de produtos, negociadores dos dois países chegaram a um acordo em Genebra, na Suíça, anunciado em 12 de maio de 2025. O texto previa uma redução substancial das tarifas por um período inicial de 90 dias, criando uma janela de alívio para empresas e mercados financeiros que vinham operando sob enorme incerteza havia semanas.

Segundo a declaração conjunta divulgada pelos dois governos, os Estados Unidos reduziriam a tarifa adicional sobre produtos chineses de mais de 140% para cerca de 30%, enquanto a China cortaria sua tarifa retaliatória equivalente para 10%. Ficaram de fora do acordo, contudo, as tarifas setoriais específicas sobre aço, alumínio e automóveis, que continuaram em vigor, e a questão das restrições chinesas à exportação de terras raras, insumo crítico para a indústria de tecnologia e defesa americana, permaneceu como ponto de atrito não totalmente resolvido.

Alívio parcial e cético

A reação dos mercados foi imediatamente positiva: bolsas em Nova York, Xangai e em praças emergentes, incluindo a B3 brasileira, registraram altas expressivas no dia do anúncio, e o dólar recuou ante moedas emergentes. Analistas, contudo, classificaram o acordo como uma "trégua tática", e não uma solução definitiva. Reportagem da Folha de S.Paulo, citando especialistas em comércio internacional, destacou que o episódio revelava os limites da agressividade de Trump: diante do risco real de desabastecimento em setores estratégicos e de pressão inflacionária sobre o consumidor americano, a Casa Branca teria sido forçada a recuar de sua postura mais dura.

Efeitos sobre cadeias globais

Empresas multinacionais que haviam paralisado ou desviado pedidos durante os meses de tarifas extremas voltaram a reativar contratos com fornecedores chineses, ainda que de forma cautelosa, dado o caráter temporário do acordo. Economistas alertaram que a incerteza sobre o que aconteceria ao fim dos 90 dias — se a trégua seria renovada, ampliada ou se as tarifas voltariam a subir — continuaria a pesar sobre decisões de investimento de longo prazo em ambos os países.

Um respiro, não uma resolução

Para economias emergentes exportadoras de commodities, como o Brasil, a trégua trouxe alívio relativo ao reduzir o risco de uma desaceleração abrupta da demanda chinesa, embora analistas ponderassem que a disputa estrutural entre as duas maiores economias do mundo — sobre tecnologia, propriedade intelectual e supremacia industrial — estava longe de ser resolvida por um acordo temporário. Maio de 2025, assim, ficou marcado como um raro momento de distensão num ano dominado pela imprevisibilidade da guerra comercial global.

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