Posse de Trump inaugura era de incerteza tarifária e o mundo espera pelo primeiro golpe comercial
Banco Mundial alerta que tarifas generalizadas de 10% podem cortar 0,3 ponto do crescimento global em 2025, enquanto Trump adia anúncios concretos sobre o novo regime comercial

A posse de Donald Trump, em 20 de janeiro, marcou o início de um mês de expectativa e ansiedade nos mercados financeiros globais. Durante a campanha, o presidente republicano prometera tarifas de até 60% sobre produtos chineses e de 10% a 20% sobre o restante do mundo, mas, já instalado no Salão Oval, optou por não anunciar de imediato as medidas concretas, alimentando um clima de indefinição que analistas descreveram como "paralisia por incerteza".
Relatório divulgado pelo Banco Mundial em meados de janeiro estimou que uma tarifa universal de 10% imposta pelos Estados Unidos, somada a eventuais retaliações de parceiros comerciais, poderia reduzir em até 0,3 ponto percentual o já modesto crescimento projetado para a economia mundial em 2025, então estimado em 2,7%. O documento reforçou o temor de que o comércio internacional, ainda em processo de recomposição após os choques da pandemia e da guerra na Ucrânia, sofresse um novo abalo estrutural.
Um jogo de soma zero
Colunistas e analistas internacionais descreveram a postura de Trump como um "jogo de soma zero", em que ganhos para a economia americana viriam necessariamente às custas de parceiros comerciais. A ameaça, mais do que a ação efetiva, já produzia efeitos: empresas multinacionais revisavam cadeias de suprimentos, bancos centrais recalculavam cenários de inflação e o dólar se valorizava frente a moedas emergentes, entre elas o real e o peso mexicano, pressionadas pela perspectiva de um ambiente comercial mais hostil.
Autoridades europeias e asiáticas passaram o mês tentando antecipar-se aos possíveis alvos das tarifas. Reportagem do Financial Times, reproduzida por veículos brasileiros, alertou que o verdadeiro risco de uma guerra tarifária generalizada não seria apenas o encarecimento direto de produtos, mas a desorganização de cadeias de abastecimento globais construídas ao longo de décadas de integração comercial — um processo que, uma vez rompido, seria de difícil reversão mesmo que as tarifas fossem posteriormente reduzidas.
Expectativa vira o novo normal
Ao fim de janeiro, ficou claro que a principal característica da política econômica do novo governo americano seria a imprevisibilidade calculada: anúncios, ameaças e prazos que se alteravam conforme a conveniência das negociações. Esse padrão, que se repetiria ao longo dos meses seguintes, já naquele momento levava analistas a alertar que a "incerteza tarifária" em si — independentemente de as tarifas serem de fato aplicadas — já bastava para desacelerar investimentos e travar decisões corporativas ao redor do mundo, prenunciando um ano turbulento para a economia internacional.
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