Comércio aquecido faz DF fechar 2024 com recorde de empregos formais
Estoque de vagas com carteira assinada cresceu 4,38% no ano, segundo o Novo Caged

Um ano de recordes na economia local
O Distrito Federal fechou 2024 com um retrato positivo no mercado de trabalho: segundo dados do Novo Caged compilados pela Secretaria de Estado de Economia (SEEC-DF), o estoque de empregos formais cresceu 4,38% no ano, ultrapassando a marca de 1 milhão de postos de trabalho com carteira assinada na capital federal — um patamar inédito na série histórica recente.
O desempenho está diretamente ligado ao aquecimento do comércio varejista e de serviços, setores que tradicionalmente respondem por parcela relevante da economia do DF, dado o peso pequeno da indústria na região. Segundo o boletim de conjuntura do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (Codeplan), divulgado no início de 2025 com dados do quarto trimestre de 2024, a atividade econômica local surfou o aumento do consumo das famílias, impulsionado por reajustes salariais acima da inflação e pela queda no desemprego.
"O comércio aquecido não é um fenômeno isolado: ele reflete uma cadeia de fatores, do crédito mais acessível ao aumento real do poder de compra", afirmou um técnico da Codeplan em nota técnica sobre o período.
ICMS bilionário e impacto fiscal
O reflexo do bom desempenho comercial também apareceu nos cofres públicos. De acordo com a Secretaria de Economia do DF, a arrecadação de ICMS somou R$ 1,7 bilhão a mais em 2024 na comparação com o ano anterior, um salto atribuído justamente ao volume maior de vendas no varejo, especialmente em datas como a Black Friday e as compras de fim de ano.
Esse incremento de receita chega em um momento sensível para as contas do Distrito Federal, que vinha sob monitoramento do Tribunal de Contas do DF (TCDF) quanto à execução orçamentária. Ainda que o órgão tenha identificado ressalvas relacionadas ao planejamento e ao monitoramento de políticas públicas, as contas de 2024 foram aprovadas por unanimidade, com recomendações de aprimoramento para os anos seguintes.
Efeito sobre bairros e regiões administrativas
O crescimento do emprego formal não se distribuiu de forma uniforme entre as regiões administrativas do DF. Áreas com maior concentração de comércio e serviços, como o Plano Piloto, Taguatinga e Águas Claras, lideraram a geração de vagas, enquanto regiões mais afastadas do centro ainda enfrentam desafios de infraestrutura para atrair novos empreendimentos.
Para o secretário de Economia do DF, Ney Ferraz Júnior, o resultado consolida uma trajetória de recuperação que vinha sendo perseguida desde a pandemia. "Fechamos o ano com a confirmação de que a economia do Distrito Federal está mais dinâmica e mais capaz de gerar emprego de qualidade", declarou em nota da pasta.
O desafio para 2025, segundo analistas ouvidos à época, será sustentar esse ritmo em um cenário de juros mais altos e de possível desaceleração do consumo, fatores que já vinham sendo monitorados pelo mercado financeiro nacional ao final de 2024.
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