Exposições no Eixo Monumental celebram servidores do SUS e ancestralidade indígena
Mostra "Zé Gotinha" retorna à Esplanada dos Ministérios enquanto Memorial dos Povos Indígenas estreia "As Mulheres Cabaças"

Arte a céu aberto na Esplanada
A Esplanada dos Ministérios recebeu, pela segunda vez, a exposição "Zé Gotinha do Brasil", instalada no Bloco O e organizada pelo Centro Cultural do Ministério da Saúde. Publicada em 21 de janeiro, a mostra reúne releituras artísticas do personagem símbolo das campanhas de vacinação no país, um dos mais queridos pela população brasileira desde sua criação, na década de 1980.
A iniciativa também tem caráter homenageante: o Ministério da Saúde anunciou, em 27 de janeiro, visitas mediadas e gratuitas à mostra, com foco em reconhecer o trabalho de profissionais do SUS. "Este trabalho é um alicerce tanto emocional quanto um fator de consciência de servir", afirmou um dos organizadores da exposição, em nota divulgada pelo ministério. A exposição seguiu em cartaz até abril na sede da Fiocruz Brasília, ampliando o alcance da iniciativa entre estudantes e famílias durante as férias escolares.
Memória indígena em primeiro plano
Outro destaque do calendário cultural de janeiro foi a estreia da exposição temporária "As Mulheres Cabaças", no Memorial dos Povos Indígenas, localizado na Zona Cívico-Administrativa, em frente ao Memorial JK. A abertura ocorreu em 28 de janeiro, a partir das 19h, com obras da artista Denize Potyguara em homenagem à ancestralidade e ao protagonismo feminino indígena. A mostra ficou em cartaz até 16 de fevereiro, marcando a primeira exposição temporária realizada no espaço desde sua reabertura.
A curadoria destacou o caráter simbólico da escolha do espaço: projetado por Oscar Niemeyer, o Memorial dos Povos Indígenas muitas vezes é ofuscado por outros equipamentos culturais do Eixo Monumental, e a exposição buscou reposicionar o local como ponto de referência para produções culturais indígenas na capital federal.
Diversidade cultural no calendário de verão
A programação cultural de janeiro em Brasília não se resumiu às exposições na Esplanada. O Festival de Lanternas Coreanas chegou à cidade em 24 de janeiro, instalado no Shopping Pátio Brasil, trazendo peças iluminadas inspiradas em tradições da cultura sul-coreana — evento que reforça o intercâmbio cultural crescente entre a capital e comunidades asiáticas residentes no DF.
"Brasília tem um público ávido por experiências culturais diferentes, e eventos como esse ajudam a diversificar a oferta da cidade além do que já é tradicional", avaliou uma produtora cultural entrevistada pela imprensa local sobre o festival.
Um mês de memória, ciência e diversidade
A combinação entre uma exposição voltada à valorização de profissionais de saúde, uma mostra sobre ancestralidade indígena e um festival de cultura estrangeira ilustra a pluralidade da cena cultural de Brasília no início de 2025. Para especialistas do setor, a concentração de eventos gratuitos ou de baixo custo no período de férias escolares tem papel relevante na democratização do acesso à cultura na capital, historicamente marcada por desigualdades entre o Plano Piloto e as regiões administrativas mais distantes.
Com a proximidade do Carnaval e do retorno às aulas, o calendário cultural do DF já se prepara para uma nova safra de eventos, mas janeiro deixou um saldo positivo em termos de diversidade e alcance popular.
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