Dólar cai 5,5% em janeiro após pico histórico, mas fiscal segue no centro das atenções
Moeda fechou o mês cotada a R$ 5,83, mas Fazenda vê arrecadação recorde ajudando meta fiscal

Um respiro cambial
Depois de fechar 2024 em forte alta, o dólar surpreendeu o mercado em janeiro de 2025 ao recuar 5,56% frente ao real, encerrando o mês cotado a R$ 5,8366, décima queda consecutiva do pregão. A reversão, segundo analistas do mercado financeiro, refletiu o alívio parcial das tensões fiscais internas e um cenário externo menos hostil a moedas emergentes no início do ano.
Ainda assim, o otimismo veio com ressalvas. O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado e divulgado em 23 de janeiro, projetou inflação de 4,4%, PIB de 1,9% e Selic em 14,25% para 2025 — números que reforçam o diagnóstico de uma economia aquecida, mas com juros elevados pressionando o crédito e o consumo das famílias.
Arrecadação recorde ajuda a meta
Um dos fatores que sustentaram o otimismo do Ministério da Fazenda foi o desempenho da arrecadação com importações. Reportagem do Valor Econômico mostrou que a receita federal com itens importados cresceu 32% entre janeiro e novembro de 2024, somando R$ 98 bilhões, impulsionada pelo dólar em alta e pelo aumento da demanda interna. Para o governo, esse fôlego extra é peça-chave para cumprir a meta fiscal de resultado primário estabelecida pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023.
"A alta do câmbio, por mais que traga desafios inflacionários, também ampliou a base de arrecadação sobre bens importados, o que ajuda no equilíbrio das contas", avaliou o economista Estevão Taiar em análise publicada pelo jornal.
O que diz o Panorama Macroeconômico
O Panorama Macroeconômico de janeiro de 2025, divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda em 27 de janeiro, reuniu dados que sustentam a leitura de uma economia brasileira ainda resiliente: desemprego em patamar historicamente baixo, PIB de 2024 fechando forte e inflação e juros em trajetória de alta, mas sob controle relativo.
Segundo a IFI, o déficit primário de 2024 ficou estimado em 0,4% do PIB, com resultado primário negativo de 0,1% mesmo considerando os descontos autorizados pela legislação vigente — número que segue sendo monitorado de perto pelo mercado, que cobra do governo sinalizações mais claras de contenção de gastos.
Perspectivas para o restante do ano
Casas de análise, como o Itaú, publicaram relatórios no fim de janeiro destacando "as perguntas fiscais fundamentais de 2025": a capacidade do governo de cumprir o arcabouço fiscal, tanto no limite de despesas quanto na meta de resultado primário, seguirá sendo o principal termômetro para investidores ao longo do ano.
Para o cidadão comum, o reflexo mais direto da volatilidade cambial aparece nos preços de alimentos e combustíveis — tema que, não por acaso, o próprio presidente Lula elegeu como prioridade número um de seu governo para 2025, na reunião ministerial realizada no mesmo mês.
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