Após crise do Pix, Lula reorganiza governo e mira 2026 com foco em entregas

Reunião ministerial de 20 de janeiro combina cobrança por resultados e alerta sobre queda na popularidade

Por Karolina Prates· 01 de janeiro de 2025· 7 min de leitura
Após crise do Pix, Lula reorganiza governo e mira 2026 com foco em entregas

Um recomeço sob pressão

A primeira reunião ministerial de 2025, realizada em 20 de janeiro no Palácio do Planalto, marcou o tom que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende dar ao ano que antecede as eleições municipais... perdão, ao terceiro ano de mandato, já com o radar voltado para 2026. Diante de ministros e ministras, Lula foi direto: "a eleição de 2026 já começou", disse, cobrando entregas concretas de cada pasta e mudanças na comunicação do governo.

O encontro ocorreu poucos dias depois de o governo recuar de uma Instrução Normativa da Receita Federal que ampliava o monitoramento de transações via Pix — medida que, mal comunicada pela equipe do ministro Fernando Haddad (Fazenda), gerou uma onda de desinformação e pressão nas redes sociais, obrigando o Executivo a revogar a norma. O episódio, batizado de "crise do Pix", tornou-se símbolo dos desafios de comunicação do terceiro mandato lulista.

Aprovação em queda

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 27 de janeiro mostrou a aprovação do governo caindo para 47%, primeira pesquisa desde a crise do Pix e refletindo também a insatisfação com o preço dos alimentos. "Prioridade do governo em 2025 é baratear os alimentos", afirmou Lula durante a reunião ministerial, citando o custo da proteína animal e de itens básicos da cesta como problemas centrais a enfrentar antes das eleições municipais de outubro.

Segundo analistas ouvidos por veículos de imprensa, a combinação entre inflação de alimentos, dólar em alta no início do mês (chegando a cotações acima de R$ 6,20) e a repercussão negativa da medida da Receita Federal formaram uma tempestade perfeita para o primeiro mês do ano.

Cobrança por entregas

Durante o discurso de abertura, divulgado posteriormente pelo Planalto, Lula listou obras e programas que precisam de resultados visíveis até o fim do ano — do Minha Casa Minha Vida ao Novo PAC, passando pela reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. "Não adianta anunciar, tem que entregar", teria dito o presidente, segundo relatos de participantes reproduzidos pela imprensa.

A reunião também tratou da relação com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que assumiria o cargo dias depois. Lula afirmou desejar "paz e boas relações" com a nova administração americana, evitando embates diante da já esperada guerra tarifária.

O que muda na prática

Para ministérios como o de Desenvolvimento Social e o de Portos e Aeroportos, a cobrança presidencial se traduziu em prazos mais curtos para inauguração de obras e prestação de contas públicas trimestrais. Auxiliares do Planalto informaram que o governo pretende ampliar a divulgação de dados de entregas por município, tentando reverter a percepção negativa capturada nas pesquisas.

"O desafio de 2025 é provar, com números, que o país está funcionando melhor do que a percepção sugere", resumiu um interlocutor da Casa Civil ouvido em Brasília. Resta saber se a estratégia surtirá efeito antes que o calendário eleitoral se imponha.

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