Baixa procura pela vacina contra dengue preocupa autoridades no início de 2025

Brasil, pioneiro mundial em imunização pública contra a doença, enfrenta desafio para ampliar cobertura entre 10 e 14 anos

Por Luciana Prates Bittencourt· 14 de janeiro de 2025· 6 min de leitura
Baixa procura pela vacina contra dengue preocupa autoridades no início de 2025

Foto: RDNE Stock project / Pexels

Pioneirismo com adesão aquém do esperado

O Brasil se tornou, em 2024, o primeiro país do mundo a disponibilizar a vacina contra a dengue pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com aplicação inicial voltada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios com maior histórico de transmissão da doença. Em janeiro de 2025, no entanto, reportagem do Jornal Nacional (G1) revelou que o desinteresse da população pela imunização preocupa as autoridades sanitárias, colocando em risco o objetivo de reduzir casos graves na temporada de chuvas.

A vacina, produzida a partir de tecnologia transferida ao Instituto Butantan, exige duas doses com intervalo de três meses, e é destinada prioritariamente às regiões com maior incidência e transmissão do vírus, segundo nota técnica do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicada em 23 de janeiro.

O que diz o Ministério da Saúde

Em reunião do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) realizada em 22 de janeiro, a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que o Brasil não terá vacinação em massa contra a dengue em 2025, mantendo o foco na faixa etária de maior risco de complicações. "Existe uma estratégia de monitoramento constante do cenário epidemiológico em todo o país", disse a ministra, segundo registro divulgado pela CNN Brasil.

A pasta avalia, contudo, ampliar a faixa etária contemplada e redirecionar doses não utilizadas para municípios ainda não incluídos no plano de vacinação — medida que viria a ser formalizada em fevereiro, mas que já era discutida internamente desde o fim de janeiro, segundo apurou a reportagem.

O peso da doença no país

A dengue, arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, foi um dos temas mais sensíveis da saúde pública brasileira em 2024, ano em que o país registrou uma das maiores epidemias de sua história, com milhares de mortes confirmadas e sistemas de saúde municipais sobrecarregados em plena temporada chuvosa. É nesse contexto que o início da vacinação pelo SUS foi tratado como um marco histórico — e a baixa adesão observada em janeiro de 2025 gerou alerta entre gestores estaduais e municipais.

"Temos uma ferramenta inédita no mundo à disposição da população e ainda enfrentamos resistência e falta de informação", observou um infectologista consultado pela reportagem do Jornal Nacional, defendendo campanhas de comunicação mais assertivas nas escolas, principal porta de entrada para o público-alvo da vacina.

Caminhos para reverter o quadro

Entre as medidas discutidas pelo Ministério da Saúde estavam parcerias com secretarias estaduais de educação para vacinação dentro do ambiente escolar, além de campanhas específicas em municípios do Centro-Oeste e Sudeste, historicamente mais afetados pela doença. A robustez do sistema de monitoramento epidemiológico do SUS — que permite acompanhar em tempo real a evolução de casos por município — segue sendo citada por especialistas como um dos maiores trunfos do país no enfrentamento da dengue, mesmo diante dos desafios de adesão à vacina.

Para o restante do primeiro semestre de 2025, a expectativa das autoridades é que a ampliação da faixa etária, aliada a uma comunicação mais direta com escolas e famílias, ajude a reverter o cenário de baixa procura registrado neste início de ano.

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