CCBB Brasília recebe mostra sobre os anos 1980 e embaixada exibe obra inédita de Joana Vasconcelos

Exposição "Fullgás" chega à capital após ser vista por mais de 300 mil pessoas no Rio, enquanto a artista portuguesa apresenta escultura monumental

Por Beatriz Nakashima· 19 de fevereiro de 2025· 6 min de leitura
CCBB Brasília recebe mostra sobre os anos 1980 e embaixada exibe obra inédita de Joana Vasconcelos

Foto: Daderot / Wikimedia Commons

Anos 1980 chegam ao CCBB Brasília

No dia 18 de fevereiro de 2025, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de Brasília inaugurou a exposição "Fullgás – Artes Visuais e Anos 1980 no Brasil", mostra que já havia sido vista por mais de 300 mil pessoas em sua passagem pelo CCBB do Rio de Janeiro. Com curadoria-chefe de Raphael Fonseca, ao lado de Amanda Tavares e Tálisson Melo, a exposição reúne obras de artistas que emergiram no período de redemocratização do país, revisitando o clima de efervescência cultural e política daqueles anos.

A mostra chega a Brasília em um momento simbólico: o CCBB local vem consolidando uma programação de exposições itinerantes de grande porte, buscando ampliar o alcance de mostras nacionais para além do eixo Rio-São Paulo, historicamente concentrador da produção cultural financiada por leis de incentivo.

Joana Vasconcelos na Embaixada de Portugal

Também a partir de 20 de fevereiro, a Embaixada de Portugal em Brasília passou a exibir a obra inédita da artista portuguesa Joana Vasconcelos, uma das nomes mais consagrados da arte contemporânea europeia. A mostra "Joana Vasconcelos: Fascinação" apresenta ao público brasileiro a escultura monumental "Pavillon de Vin" (2016), estrutura de ferro forjado em formato de garrafão de vinho, ornamentada com videiras — obra que já circulou por instituições como o Palácio de Versalhes, na França.

A presença da obra em uma embaixada, e não em um museu tradicional, reforça o papel crescente das representações diplomáticas em Brasília como espaços de difusão cultural, movimento que se intensificou na capital ao longo dos últimos anos como estratégia de soft power de diversos países.

Mulheres na construção de Brasília

A Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB) inaugurou, em 20 de fevereiro, exposição dedicada às mulheres que participaram da construção da capital entre o fim dos anos 1950 e início dos 1960 — período em que a mão de obra feminina, embora numericamente menor que a masculina, foi decisiva em funções administrativas, de saúde e educação nos acampamentos de candangos. A mostra, que fica em cartaz até 20 de março na Galeria da BDB, foi aberta com um espetáculo do grupo Merceditas, intitulado "Como La Cigarra".

A iniciativa integra um esforço mais amplo do Ministério da Cultura de revisar narrativas históricas sobre a fundação de Brasília, tradicionalmente centradas nas figuras masculinas de Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, dando visibilidade a personagens historicamente apagados do relato oficial.

Caixa Cultural e coleções privadas

A Caixa Cultural Brasília também renovou sua programação em fevereiro com a exposição "História(s) da arte brasileira: multiplicidade da coleção Moraes e Oliveira", reunindo obras do acervo particular dos colecionadores Onice Moraes e José Rosildete de Oliveira, fruto de três décadas de pesquisa e aquisições. A mostra busca traçar um panorama da diversidade de escolas e movimentos da arte brasileira ao longo do século XX.

Um mês de agenda plural

O conjunto de exposições reunidas em fevereiro — da retrospectiva dos anos 1980 à escultura monumental portuguesa, passando pela memória feminina da construção da capital — evidenciou a capacidade de Brasília de sediar simultaneamente grandes produções itinerantes e mostras de recorte mais local e histórico, consolidando o mês como um dos mais movimentados do calendário cultural do Distrito Federal no início de 2025.

Gostou desta reportagem?

Assinar grátis