Serviços e economia criativa impulsionam o Distrito Federal em fevereiro

Setor de serviços cresce 9,2% no DF, turismo avança 1,2% e economia criativa já movimenta R$ 10 bilhões por ano na capital

Por Luana Feitosa· 10 de fevereiro de 2025· 6 min de leitura
Serviços e economia criativa impulsionam o Distrito Federal em fevereiro

Foto: Agência Brasília / Wikimedia Commons

Valor investido na política pública
R$ 10.000.000.000

Serviços puxam o desempenho local

O setor de serviços do Distrito Federal registrou alta de 9,2% em fevereiro de 2025 na comparação com o mês anterior, segundo dados do IBGE divulgados pela Fecomércio-DF. O resultado ficou muito acima da variação nacional do setor, de 0,8% no mesmo período, consolidando a capital como uma das economias regionais mais dinâmicas do país no início do ano. A atividade turística também cresceu, com alta de 1,2%, mantendo uma trajetória positiva iniciada nos meses anteriores, enquanto o comércio varejista teve desempenho mais modesto.

Para economistas da federação patronal, o resultado reflete a característica estrutural da economia do DF, fortemente concentrada em serviços públicos, educação, saúde privada e turismo de negócios ligado à administração federal — setor que tende a ser menos sensível a oscilações de curto prazo do que a indústria ou o agronegócio.

Arrecadação tributária em alta

Relatório da Secretaria de Estado de Economia do DF (Seec-DF), sob o secretário Ney Ferraz Júnior, mostrou crescimento na arrecadação tributária distrital em fevereiro de 2025 em relação ao mesmo mês do ano anterior. O documento, elaborado pela Subsecretaria de Acompanhamento Econômico, atribui parte do resultado à manutenção do emprego formal na região e ao aumento do consumo de serviços, refletido também no ICMS sobre comunicações e entretenimento.

Economia criativa: R$ 10 bilhões por ano

Um dos destaques do mês veio de um levantamento do Dieese, publicado pelo Correio Braziliense em fevereiro, que revelou que a economia criativa no DF movimenta R$ 10 bilhões anuais. O estudo posiciona o Distrito Federal como a segunda unidade da federação em percentual de trabalhadores ocupados no setor, atrás apenas de São Paulo — um dado notável para uma unidade federativa sem tradição industrial e fortemente dependente do funcionalismo público.

A reportagem destacou histórias como a do artesão Cícero Teodoro, que transforma fibra de coco-babaçu em peças de design, como exemplo da pulverização de pequenos produtores autônomos que sustentam esse ecossistema. Representantes do setor cobraram do Governo do Distrito Federal (GDF) políticas de crédito e editais mais robustos, citando o exemplo de outros estados que já possuem secretarias exclusivas para economia criativa.

Comércio e serviços acima da média nacional

Reportagem da Agência Brasília, replicada por veículos regionais como o Portal Lago Sul, atribuiu o desempenho acima da média nacional a uma combinação de ações governamentais, mobilização da sociedade civil e iniciativa de empreendedores locais. O texto cita programas de fomento ao pequeno negócio conduzidos pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, que ampliaram linhas de crédito via o Fundo de Apoio ao Empreendedorismo (Fundo Pró-DF) ao longo do último ano.

Perspectivas

Apesar do otimismo com serviços e economia criativa, analistas alertam que o DF segue exposto a riscos fiscais federais, já que boa parte de sua atividade econômica depende indiretamente do orçamento da União e da folha de pagamento do funcionalismo federal. Com o impasse orçamentário em Brasília — tema também tratado nesta edição na cobertura de política nacional —, o ritmo de crescimento observado em fevereiro pode encontrar obstáculos caso o Congresso não destrave o Orçamento de 2025 e os repasses federais fiquem represados nos meses seguintes.

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