Ministério da Saúde amplia calendário de vacinação e reforça combate à dengue em fevereiro

Vacina da gripe entra no calendário infantil e faixas etárias para imunizante da dengue são ampliadas para evitar perda de doses

Por Priscila Damasceno· 14 de fevereiro de 2025· 6 min de leitura
Ministério da Saúde amplia calendário de vacinação e reforça combate à dengue em fevereiro

Foto: RDNE Stock project / Pexels

Gripe entra no calendário infantil

Em fevereiro de 2025, o Ministério da Saúde formalizou a inclusão da vacina contra influenza no Calendário Nacional de Vacinação voltado a crianças, medida anunciada por meio de nota técnica da Coordenação-Geral de Incorporação Científica e Imunização (CGICI). A decisão, segundo a pasta, busca reduzir internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em menores de cinco anos, grupo historicamente mais vulnerável a complicações da gripe sazonal.

A Instrução Normativa que regulamenta o calendário de 2025 também tratou de casos excepcionais de antecipação de doses, como viagens programadas ou exposição a risco epidemiológico, orientando as equipes de vacinação a avaliar caso a caso a relação risco-benefício, já que a antecipação pode reduzir a resposta imunológica esperada.

Dengue: flexibilização por vencimento de doses

Em 14 de fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação da recomendação de uso da vacina contra a dengue, a Qdenga, autorizando sua aplicação em faixas etárias estendidas ou seu remanejamento para municípios que ainda não haviam sido contemplados pela campanha. A medida teve como objetivo evitar o desperdício de imunizantes próximos da validade, em um contexto de produção ainda limitada pelo fabricante Takeda frente à demanda nacional.

O Brasil enfrentou, entre o fim de 2024 e o início de 2025, um novo pico de casos de dengue em diversas regiões, o que aumentou a pressão sobre secretarias estaduais e municipais de saúde para acelerar a imunização, especialmente em áreas de alta incidência do Centro-Oeste e Sudeste. A vacina, de duas doses, segue sendo aplicada prioritariamente em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária definida com base em estudos de custo-efetividade do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Multivacinação para atualizar cadernetas

O Ministério da Saúde também lançou em fevereiro a estratégia "Multivacinação 2025", documento técnico voltado à atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos. A iniciativa surge em resposta à queda persistente nas coberturas vacinais infantis observada desde a pandemia de Covid-19, quando campanhas de rotina foram interrompidas ou tiveram baixa adesão em diversos municípios brasileiros.

Segundo dados do PNI, coberturas de vacinas como tríplice viral, pólio e pentavalente seguem abaixo da meta de 95% em boa parte do país, o que motivou o desenho de mutirões municipais com aplicação simultânea de múltiplos imunizantes em postos de saúde e escolas.

Coordenação federal e desafios municipais

As mudanças no calendário nacional, coordenadas pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações, sediado em Brasília, refletem o esforço do governo federal em recuperar terreno perdido nas coberturas vacinais nos últimos cinco anos. Gestores municipais, no entanto, relatam dificuldades logísticas para acompanhar o ritmo das atualizações normativas, especialmente em municípios menores com equipes de saúde reduzidas.

O que esperar

A expectativa da pasta é que a combinação de inclusão da vacina da gripe no calendário infantil, flexibilização da vacina da dengue e a estratégia de multivacinação eleve as coberturas ao longo de 2025, com metas de avaliação previstas para o segundo semestre. Para especialistas em saúde pública ouvidos por veículos especializados, o sucesso dessas medidas dependerá diretamente do repasse de recursos do Fundo Nacional de Saúde aos municípios — tema sensível em um ano de disputa orçamentária no Congresso Nacional.

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