Ministério da Saúde amplia para 312 municípios ações contra a dengue após avanço do sorotipo 4

Pasta reforça vacinação e prepara centros de hidratação após confirmação da circulação do DENV-4 em São Paulo; novo guia técnico antecipa tratamento para reduzir casos graves

Por Patrícia Nogueira Assunção· 14 de abril de 2025· 6 min de leitura
Ministério da Saúde amplia para 312 municípios ações contra a dengue após avanço do sorotipo 4

Foto: RDNE Stock project / Pexels

Sorotipo 4 acende alerta nacional

Em abril de 2025, o Ministério da Saúde intensificou suas ações de combate à dengue após a confirmação da circulação do sorotipo DENV-4 em São Paulo, variante que havia perdido relevância nos últimos anos no país e cuja reintrodução preocupa autoridades sanitárias por atingir uma população com menor imunidade cruzada acumulada.

Em 8 de abril, a pasta anunciou a intensificação de ações em 80 municípios considerados prioritários, com a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) mobilizada para instalar centros de hidratação e reforçar equipes de assistência. Poucos dias depois, diante da evolução do cenário epidemiológico, o ministério ampliou significativamente o escopo do programa, elevando para 312 o número de municípios prioritários em todo o território nacional.

Vacinação sob pressão

A pasta enfrentou, ao longo do mês, dificuldades logísticas para acelerar a imunização da população contra a dengue. A vacina, incorporada ao Plano Nacional de Imunizações em fases anteriores, tem produção limitada em escala global, o que impõe ao Brasil um cronograma de distribuição escalonado por prioridade epidemiológica e faixa etária.

Uma Nota Técnica da Coordenação-Geral de Gestão de Insumos e Rede de Frio, vinculada ao Departamento do Programa Nacional de Imunizações, detalhou a pauta de distribuição de doses entre estados e municípios, buscando otimizar a aplicação nas regiões com maior circulação viral e histórico de casos graves.

Novo guia para reduzir agravamento

Uma das principais mudanças anunciadas pelo Ministério da Saúde em abril foi a publicação de um novo guia clínico que orienta profissionais de saúde a antecipar o início do tratamento de pacientes com suspeita de dengue, mesmo antes da confirmação laboratorial em casos de sinais de alarme. A medida busca reduzir o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento adequado, fator determinante para evitar complicações como a síndrome do choque da dengue.

Segundo a pasta, a estratégia inclui capacitação de equipes da atenção básica e hospitais de referência, além da ampliação da testagem rápida em unidades de pronto atendimento nos municípios prioritários.

Impacto regional e o caso do Centro-Oeste

Ainda que São Paulo tenha sido o epicentro da notícia sobre o sorotipo 4, estados do Centro-Oeste, incluindo o entorno do Distrito Federal, mantiveram monitoramento reforçado, dado o histórico de surtos sazonais associados ao período chuvoso, que se estende de outubro a abril. Secretarias estaduais de saúde da região intensificaram ações de eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti em parceria com prefeituras.

O que esperar dos próximos meses

Com o fim do período mais chuvoso se aproximando no Centro-Sul do país, a expectativa de especialistas é de redução gradual na proliferação do mosquito vetor, mas o risco de circulação simultânea de múltiplos sorotipos — o que pode aumentar a gravidade de casos em reinfecção — mantém a dengue como prioridade da agenda sanitária nacional pelo menos até o fim do primeiro semestre de 2025. O Ministério da Saúde sinalizou que deve manter avaliações semanais do cenário epidemiológico para ajustar, se necessário, a lista de municípios prioritários.

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