Museus e memoriais de Brasília vivem junho de exposições sobre território, memória e Niemeyer
Mostras como 'Terra Fraturada', 'Andanças' e 'Entre o traço e o tempo' movimentam o calendário cultural da capital

O calendário cultural de Brasília em junho de 2025 foi marcado por uma sequência de exposições que colocaram em diálogo temas como território, memória indígena e a própria história da capital federal. Entre as mostras que atraíram público estão "Terra Fraturada", aberta em 11 de junho no Museu de Arte de Brasília (MAB), e "Entre o traço e o tempo", exibição de imagens e documentos originais do arquiteto Oscar Niemeyer na Casa de Chá, que segue em cartaz até 10 de julho.
"Terra Fraturada" reúne obras que discutem os impactos da urbanização acelerada sobre paisagens naturais e territórios tradicionais, tema especialmente sensível em uma cidade planejada como Brasília, erguida sobre o cerrado em ritmo célere durante os anos 1950. A curadoria da mostra buscou conectar artistas contemporâneos brasileiros a debates ambientais atuais, em um momento em que o Distrito Federal discute expansão de novas regiões administrativas e pressão imobiliária sobre áreas de preservação no entorno do Lago Paranoá.
Já a exposição sobre Niemeyer, realizada em parceria com o Senac-DF, disponibiliza ao público documentos originais e fotografias raramente exibidas do arquiteto responsável pelos principais edifícios monumentais da capital. A mostra chega em ano de intensificação do debate sobre restauro e conservação do patrimônio modernista tombado pela Unesco, que enfrenta desafios como infiltrações em prédios históricos e necessidade de atualização de sistemas elétricos em edificações com mais de 60 anos.
No campo da memória indígena, o Memorial dos Povos Indígenas recebeu a exposição "Andanças", dos artistas Adriane Kariú e Rômulo Barros, que integra a segunda edição do projeto "Interação Corpo/Som". A mostra é resultado de um ônibus-galeria itinerante que percorreu diversos pontos culturais do Distrito Federal antes de se instalar definitivamente no espaço projetado por Niemeyer, ficando em cartaz até 27 de julho, com entrada gratuita.
O circuito expositivo de junho também incluiu iniciativas privadas, como a mostra imersiva "Morada", da artista plástica Nina Pandolfo, conhecida por suas figuras de meninas de olhos grandes e expressivos, instalada no Shopping Iguatemi Brasília a partir de 21 de junho. A chegada de exposições imersivas a espaços comerciais reforça uma tendência observada nos últimos anos na capital, de descentralização da produção artística para além dos equipamentos culturais tradicionais, como museus e teatros públicos.
Outro destaque do mês foi a Worldwide Botanical Art Exhibition, mostra internacional de arte botânica com o tema "Linking People to Plants Through Contemporary Botanical Art", que ficou em cartaz gratuitamente até 14 de junho, atraindo tanto apreciadores de arte quanto pesquisadores da área de botânica, dada a relevância científica do cerrado brasiliense como bioma de estudo.
Produtores culturais consultados pela reportagem avaliam que o volume de exposições simultâneas em junho reflete o amadurecimento do circuito de artes visuais da capital, historicamente concentrado em poucos equipamentos públicos, mas que agora conta com parcerias entre instituições estatais, iniciativa privada e coletivos independentes, ampliando o acesso da população a diferentes linguagens artísticas ao longo do mês.
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