SES-DF contrata 60 novos leitos de UTI em menos de um mês com investimento de R$ 66,2 milhões
Ampliação da rede complementar de terapia intensiva reforça atendimento do SUS nos hospitais Anchieta, em Ceilândia, e São Mateus

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) anunciou, ao longo de junho, a contratação de 60 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede complementar do Sistema Único de Saúde, distribuídos em duas etapas: uma primeira leva de 30 leitos, seguida por mais 33 vagas adicionais, incluindo unidades adultas e neonatais. O investimento inicial informado pela pasta é de R$ 66,2 milhões, valor destinado à contratação de serviços prestados por hospitais privados conveniados que atendem exclusivamente pacientes do SUS.
Segundo a SES-DF, os novos leitos já estão em operação nos hospitais Anchieta, em Ceilândia, e São Mateus, duas unidades privadas que mantêm contrato de prestação de serviço com o governo distrital havia anos e que agora ampliam sua capacidade de retaguarda para pacientes graves. A medida busca reduzir a fila de espera por vagas de terapia intensiva na rede pública, um dos principais gargalos históricos da saúde no Distrito Federal, especialmente em períodos de maior demanda, como surtos sazonais de doenças respiratórias, comuns no inverno do Centro-Oeste.
A gestão da pasta afirma que a expansão de leitos complementa investimentos já realizados em 2024 na rede própria da Secretaria, incluindo reformas em unidades de pronto atendimento (UPAs) e a reativação de leitos que estavam temporariamente fechados por falta de equipe assistencial. Ainda assim, entidades de defesa do usuário do SUS no DF, como conselhos de saúde regionais, cobram transparência sobre os critérios de regulação que definem a destinação dos novos leitos entre as diferentes regiões administrativas.
A vice-governadora do Distrito Federal, que também responde por parte da pasta de infraestrutura de saúde, tem utilizado os anúncios de ampliação de leitos como parte de uma agenda mais ampla de investimentos em áreas administrativas do DF, incluindo obras no hospital regional de São Sebastião, cuja construção teve início autorizado recentemente, e aportes da ordem de R$ 12,3 milhões em ações urbanas na mesma região administrativa.
Especialistas em gestão hospitalar ouvidos pela reportagem avaliam que a contratação de leitos por meio da rede complementar, embora resolva o problema de capacidade no curto prazo, tem custo por leito historicamente mais elevado do que a expansão da rede própria estatal, e defendem que o governo distrital avance paralelamente na construção e equipagem de novas unidades públicas, com equipes de servidores concursados, para reduzir a dependência de contratos emergenciais no médio prazo.
O Hospital de Base do Distrito Federal, principal unidade de alta complexidade da rede pública local, também anunciou em junho a ampliação de seus serviços de oncologia, além do fortalecimento das linhas de cuidado cardíaco e neurológico, com aquisição de novos equipamentos de diagnóstico por imagem. A unidade é referência para todo o Centro-Oeste e recebe pacientes encaminhados de estados como Goiás, Tocantins e Mato Grosso, o que tensiona ainda mais sua capacidade de atendimento.
A SES-DF afirma que pretende divulgar, ainda no segundo semestre de 2025, um novo cronograma de expansão de leitos de UTI, desta vez priorizando a Região Administrativa de Samambaia e o Paranoá, áreas apontadas em levantamentos internos como as de maior déficit proporcional de vagas de terapia intensiva por habitante no Distrito Federal.
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