18ª edição do Festival Latinidades ocupa Brasília com Zezé Motta, Luedji Luna e Karol Conká
Exposição Alumbramento, no Museu Nacional, abre celebração de mulheres negras latino-americanas e caribenhas

Brasília recebeu, entre os dias 23 e 31 de julho de 2025, a 18ª edição do Festival Latinidades, considerado o maior evento dedicado às mulheres negras latino-americanas e caribenhas em toda a região. Realizado com apoio do Ministério da Cultura (MinC), o festival reuniu uma programação diversa de shows, debates, feiras de empreendedorismo e mostras de arte, consolidando-se como um dos principais eventos culturais do calendário da capital federal.
A abertura oficial do festival se deu com a inauguração da exposição Alumbramento, instalada na galeria do Museu Nacional da República, no centro de Brasília. A mostra reúne obras de 25 artistas de diferentes gerações e regiões do país, com curadoria voltada a temas de resistência e espiritualidade dentro da produção artística de mulheres negras brasileiras. Segundo a organização do festival, a exposição busca dialogar com a trajetória histórica de luta e protagonismo dessas artistas, muitas vezes invisibilizadas nos circuitos tradicionais das artes visuais.
Pela primeira vez em sua história, o Festival Latinidades escolheu as artes visuais como linguagem central de sua programação, ocupando diferentes espaços da cidade com três grandes exposições que se estendem, segundo os organizadores, de julho a setembro. Entre esses espaços está a Estação de Metrô da Ceilândia, escolhida como um dos pontos de exibição das mostras, em uma iniciativa que a organização descreve como um esforço de levar arte para o coração da periferia do Distrito Federal, ampliando o acesso da população de regiões mais afastadas do centro urbano às produções culturais do festival.
A programação musical e de shows do festival contou com nomes de peso da música popular brasileira. Entre as atrações confirmadas para a 18ª edição estiveram a atriz e cantora Zezé Motta, ícone histórico da luta antirracista no Brasil, a cantora e compositora Luedji Luna, reconhecida por sua trajetória na música negra contemporânea, e a rapper e cantora Karol Conká, uma das vozes mais relevantes do rap nacional na última década. Os shows, realizados em diferentes espaços culturais de Brasília ao longo da semana de eventos, atraíram público diverso, formado tanto por moradores da capital quanto por visitantes de outras cidades.
Além da programação artística, o Festival Latinidades manteve, nesta edição, seu tradicional espaço de empreendedorismo, reunindo empreendedoras negras de diferentes setores em uma feira que funcionou paralelamente aos eventos culturais. A iniciativa buscou dar visibilidade a negócios liderados por mulheres negras, oferecendo uma vitrine de vendas e networking dentro da estrutura do festival, além de rodas de conversa sobre economia criativa, ancestralidade e políticas públicas de promoção da igualdade racial.
Organizadores do evento destacaram, em entrevistas concedidas à imprensa ao longo da semana de festival, a importância da manutenção e do crescimento do Latinidades ao longo de quase duas décadas de existência, consolidando Brasília como palco de um dos eventos mais relevantes da cultura afro-latino-americana e caribenha. Com a extensão das exposições até setembro, a expectativa da organização é de que o público total impactado pelo festival em 2025 supere as edições anteriores, reforçando o papel da capital federal como território de encontro e celebração da produção cultural negra no continente.
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