IPCA fecha julho em 0,26% e alta da conta de luz pressiona inflação
Índice acumula 3,26% no ano e 5,23% em 12 meses, segundo o IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial da inflação no Brasil, registrou alta de 0,26% em julho de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma leve aceleração em relação a junho, quando o índice havia subido 0,24%. Com o número de julho, a inflação acumula 3,26% no ano e 5,23% em 12 meses, patamar ainda distante do centro da meta de 3% perseguida pelo Banco Central, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
De acordo com o levantamento, o principal vetor de pressão em julho foi o grupo de habitação, impulsionado pela conta de energia elétrica. A ativação da bandeira tarifária vermelha, que sinaliza custos mais altos de geração no sistema elétrico nacional, elevou as contas de luz das famílias em diversas regiões do país. Esse componente isolado teve peso relevante na composição do índice do mês, segundo técnicos do IBGE.
Em contrapartida, o grupo de alimentação e bebidas trouxe um alívio parcial ao consumidor: os preços dos alimentos recuaram pelo segundo mês consecutivo, refletindo a normalização de safras agrícolas e a queda de preços de itens como hortaliças e alguns tipos de carne. Ainda assim, especialistas ponderam que a trégua nos alimentos não foi suficiente para neutralizar o efeito da energia elétrica sobre o índice geral.
O cenário inflacionário de julho reforçou a percepção do mercado de que o Banco Central deveria manter uma postura cautelosa em relação à trajetória da taxa Selic, mantida em patamar restritivo ao longo do primeiro semestre de 2025 como estratégia para conter as pressões de preços. Analistas de instituições financeiras destacaram, em relatórios divulgados após a publicação do índice, que a taxa básica de juros dificilmente seria reduzida no curto prazo, dado o comportamento ainda pressionado da inflação de serviços e de itens administrados, como energia e combustíveis.
O Panorama Macroeconômico divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, no dia 11 de julho, trouxe um dado que contrastou com a cautela do mercado sobre preços: a projeção de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) para 2025 foi revisada para cima, passando de 2,38% para 2,54%, em razão do desempenho da atividade econômica no primeiro semestre. Ao mesmo tempo, a equipe econômica reduziu ligeiramente sua projeção de inflação acumulada para o ano, embora o número ainda projetasse fechamento acima do centro da meta.
Economistas ouvidos por veículos especializados avaliaram o quadro de julho como "misto": de um lado, a atividade econômica surpreendeu positivamente, sustentada pelo consumo das famílias e por um mercado de trabalho ainda aquecido; de outro, a inflação de serviços e os reajustes de tarifas públicas continuaram a exigir vigilância da autoridade monetária. A combinação de crescimento robusto com inflação ainda resistente é vista como um dos principais desafios da política econômica brasileira para o segundo semestre de 2025, período que também deve ser marcado pelos efeitos do tarifaço americano sobre as exportações nacionais.
Para os próximos meses, o mercado financeiro aguarda a divulgação de novos dados de atividade e de expectativas de inflação para calibrar suas apostas sobre o rumo da Selic, em um ambiente já pressionado por incertezas externas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.
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