Tarifaço de Trump de 50% entra em vigor e atinge exportadores brasileiros

Medida do governo americano afeta cerca de 36% das exportações do Brasil aos Estados Unidos; Brasília nega retaliar e busca negociação

Por Marina Coutinho Salgado· 05 de agosto de 2025· 5 min de leitura
Tarifaço de Trump de 50% entra em vigor e atinge exportadores brasileiros

Foto: Bhabin Tamang / Pexels

Entrou em vigor em 6 de agosto de 2025 a tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, a uma parcela significativa das exportações brasileiras. Segundo dados da Agência Brasil, a medida atinge cerca de 36% do total exportado pelo Brasil ao mercado americano, com impacto direto sobre setores como siderurgia, agropecuária, calçados e produtos manufaturados, especialmente concentrados em polos exportadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O chamado "tarifaço" foi tratado pelo governo brasileiro como uma medida de caráter político, associada a divergências diplomáticas entre Brasília e Washington ao longo de 2025. Em reportagem publicada pela BBC News Brasil em 7 de agosto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que um pacote de medidas para socorrer setores mais afetados pelas tarifas já estava pronto, incluindo linhas de crédito facilitado e possíveis mecanismos de compensação fiscal para exportadores atingidos.

O Itamaraty confirmou que o Brasil formalizou reclamação junto aos Estados Unidos, buscando abrir uma frente de negociação bilateral antes de considerar qualquer medida de retaliação comercial. Segundo o levantamento da BBC, o governo brasileiro atuou simultaneamente em quatro frentes: diálogo direto com autoridades americanas, articulação em fóruns multilaterais de comércio, apoio a setores diretamente prejudicados e mobilização diplomática junto a outros países também afetados por tarifas similares impostas pela Casa Branca.

Uma semana após a entrada em vigor da medida, reportagem do G1 publicada em 12 de agosto relatou que diplomatas brasileiros classificaram a postura do governo Trump como "truculenta", e afirmaram que as negociações não avançavam como esperado. Segundo os relatos, Trump não havia até aquele momento designado formalmente nenhum assessor como interlocutor direto para tratar do tema com o Brasil, o que dificultava avanços concretos nas tratativas.

Ao mesmo tempo, análise publicada pela Folha de S.Paulo em 13 de agosto ponderou que, apesar do choque inicial, os efeitos práticos da tarifa poderiam ser mais limitados do que o temido por parte do mercado, descrevendo o episódio como "mais latido do que mordida", uma vez que setores estratégicos como petróleo e derivados ficaram fora da lista de produtos tarifados, e alguns exportadores já buscavam rotas alternativas de comercialização para mercados asiáticos e europeus.

Ainda assim, o Ibovespa e o câmbio registraram oscilações ao longo do mês em razão da incerteza gerada pela disputa comercial, com o dólar comercial fechando o período cotado próximo de R$ 5,24. Representantes de entidades como a Confederação Nacional da Indústria classificaram agosto como um mês de "vigilância ativa", pedindo ao governo celeridade nas negociações e transparência sobre os critérios usados pelos Estados Unidos para definir os produtos tarifados, num cenário que deve seguir influenciando a pauta de comércio exterior do Brasil nos meses seguintes, especialmente às vésperas do período eleitoral de 2026.

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