DF reduz casos de dengue em 97%, mas especialistas alertam para novo ciclo
Rede de saúde reforça vigilância e vacinação contra o Aedes aegypti mesmo com queda histórica de registros na comparação anual

O Distrito Federal registrou, entre janeiro e junho de 2025, uma queda expressiva nos casos prováveis de dengue: 6.930 registros, ante 266.346 no mesmo intervalo de 2024, segundo dados do Ministério da Saúde citados pelo Correio Braziliense em reportagem publicada em agosto. A redução de 97% é atribuída por especialistas a uma combinação de fatores, incluindo a imunidade adquirida pela população após a epidemia recorde do ano anterior, condições climáticas menos favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti no início de 2025, e o avanço da campanha de vacinação contra a doença conduzida pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
Apesar do número favorável, pesquisadores ouvidos pela reportagem alertaram para o risco de uma nova epidemia no ciclo seguinte do mosquito, que tradicionalmente se intensifica nos últimos meses do ano, coincidindo com o início do período chuvoso no Centro-Oeste. Por esse motivo, a rede pública de saúde do DF reforçou, ao longo de agosto, as ações de vigilância entomológica e educação sanitária, com mutirões de eliminação de criadouros em regiões administrativas historicamente mais afetadas, como Ceilândia, Samambaia e Recanto das Emas.
Em 20 de agosto, Dia Mundial de Combate aos Mosquitos, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGESDF) e a SES-DF promoveram uma série de ações de conscientização, incluindo distribuição de material informativo em unidades básicas de saúde e reforço do monitoramento de doenças transmitidas por vetores, como dengue, zika e chikungunya, conforme reportagem do Jornal de Brasília. A ação integrou também o programa que utiliza a bactéria Wolbachia, técnica que reduz a capacidade do mosquito de transmitir vírus, e que já vinha sendo testada em bairros-piloto da capital desde anos anteriores.
Um ponto de atenção destacado por gestores da rede de saúde foi a baixa adesão à vacinação contra a dengue. Segundo reportagem do Jornal de Brasília, apenas metade das doses distribuídas à rede de saúde do DF havia sido efetivamente aplicada até aquele momento, distante da meta de imunizar 90% do público-alvo, formado majoritariamente por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária prioritária definida pelo Programa Nacional de Imunizações. A gerente da Rede de Frio Central da SES-DF, Tereza Luiza Pereira, afirmou à reportagem que a secretaria intensificaria as campanhas de busca ativa nas escolas para tentar reverter o quadro antes do início do próximo ciclo epidêmico.
A gazeta de Taguatinga também destacou, em reportagem de 20 de agosto, que o Distrito Federal aposta na combinação entre vigilância ambiental, imunização e comunicação de risco como estratégia para evitar a repetição do cenário de 2024, quando a região viveu um dos piores surtos de dengue de sua história recente, com forte impacto sobre a rede hospitalar pública e privada. Autoridades de saúde reforçam que a manutenção dos bons resultados de 2025 depende diretamente da adesão da população às medidas simples de eliminação de focos do mosquito nos próprios domicílios, sobretudo durante o período de transição para a estação chuvosa.
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