Varejo do DF cresce 5,7% em novembro, mas PIB da capital dá sinais de estagnação
Pesquisa do IBGE mostra alta nas vendas, enquanto economistas alertam para desaceleração estrutural do terceiro maior PIB do país

O comércio varejista do Distrito Federal registrou crescimento de 0,5% em novembro de 2025 na comparação com outubro, na série livre de influências sazonais, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE. Na comparação com novembro de 2024, o avanço foi ainda mais expressivo: 5,7%. No acumulado do ano, entre janeiro e novembro, o crescimento das vendas chegou a 4,0%, com alta de 4,1% no intervalo de doze meses encerrado no mês.
Os números foram destacados pela Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio-DF), que atribuiu o desempenho positivo ao aquecimento das vendas de fim de ano, impulsionado pela Black Friday e pelo início das compras natalinas. Setores como vestuário, eletrodomésticos e supermercados lideraram o crescimento, segundo balanço da entidade.
Apesar do resultado favorável no varejo, o setor de serviços apresentou recuo no mesmo período, indicando um cenário misto para a economia local. Analistas ouvidos pela Fecomércio-DF apontam que a alta do consumo das famílias tem sido sustentada, em boa parte, pela injeção de recursos vinculada ao 13º salário do funcionalismo público, historicamente o motor da economia da capital federal.
Essa dependência histórica do funcionalismo é justamente o ponto central de uma análise publicada pelo economista Pedro Fernando Nery, em coluna no jornal Estadão. Segundo o texto, o Distrito Federal — que ostenta o terceiro maior PIB entre as unidades da federação — apresenta sinais de estagnação estrutural, com crescimento econômico pouco expressivo nos últimos anos quando descontado o efeito da administração pública. O artigo chama atenção para a necessidade de diversificação da matriz econômica local, hoje fortemente concentrada em serviços públicos, comércio e, mais recentemente, turismo.
Justamente sobre esse último ponto, a Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) divulgou balanço apontando 2025 como um dos anos de melhor desempenho turístico da história recente da capital, impulsionado por grandes eventos realizados ao longo do ano, incluindo festivais musicais, feiras corporativas e a movimentação em torno de datas comemorativas de fim de ano. A pasta, comandada pela equipe da secretária responsável pela reportagem de Fernanda Resende, projeta que o setor de hospedagem e gastronomia deve manter ritmo positivo até o Réveillon.
A Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal (Seec-DF), sob gestão do secretário Daniel Izaias de Carvalho, também divulgou relatório de arrecadação tributária referente a novembro, indicando estabilidade na arrecadação de ICMS e IPVA, tributos que respondem pela maior parte das receitas próprias do governo local. O documento, assinado pela Subsecretaria de Acompanhamento Econômico, sob coordenação de Marco Antônio Lima Lincoln, será utilizado como base para o fechamento das contas do exercício fiscal de 2025.
O cenário, portanto, é de sinais contraditórios: crescimento pontual do consumo em novembro, mas alerta de longo prazo sobre a necessidade de o Distrito Federal ampliar sua base produtiva além do setor público e do comércio, sob risco de perder competitividade frente a outros polos econômicos regionais, como Goiânia e o entorno metropolitano.
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