COP30 termina em Belém com compromissos mínimos e críticas latino-americanas

Conferência do clima, sediada pela primeira vez na Amazônia, não avançou em metas claras sobre combustíveis fósseis

Por Beatriz Nogueira Salles· 05 de novembro de 2025· 6 min de leitura
COP30 termina em Belém com compromissos mínimos e críticas latino-americanas

Foto: Bhabin Tamang / Pexels

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30, encerrada em 21 de novembro em Belém, no Pará, ficou marcada por um saldo de compromissos considerados tímidos diante da magnitude da crise climática global. Sediada pela primeira vez na região amazônica, a conferência reuniu delegações de quase 200 países entre os dias 10 e 21 de novembro, além de chefes de Estado, cientistas, líderes indígenas e representantes da sociedade civil.

Apesar do simbolismo de realizar o encontro no coração da maior floresta tropical do planeta, o texto final da conferência não incluiu um roteiro claro para a transição de combustíveis fósseis, tema que dividiu delegações ao longo de toda a segunda semana de negociações. Países latino-americanos, incluindo o Brasil como anfitrião, manifestaram objeções à falta de compromissos vinculantes, segundo reportagem da InfoAmazonia publicada em 24 de novembro.

Entre os pontos de avanço, especialistas ouvidos pela National Geographic Brasil destacaram progressos pontuais no financiamento climático voltado à adaptação, com a criação de mecanismos para direcionar recursos a países em desenvolvimento mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas — como secas prolongadas, elevação do nível do mar e eventos extremos. Ainda assim, o volume de recursos efetivamente comprometidos ficou abaixo das estimativas apresentadas por organizações internacionais no início da conferência.

A presidência brasileira da COP30, sob coordenação do diplomata André Corrêa do Lago, tentou até o último momento costurar um consenso mais ambicioso, mas esbarrou na resistência de grandes produtores de petróleo e gás, que rejeitaram qualquer menção explícita a um cronograma de eliminação gradual de combustíveis fósseis. Segundo análise publicada pelo O Globo em 2 de dezembro, o evento se mostrou "mais desafiador do que os discursos prometiam", com alguns pontos centrais da pauta ambiental global permanecendo sem consenso.

Por outro lado, colunistas como os da revista Exame ponderam que, mesmo com resultados aquém do ideal, a realização da COP30 na Amazônia teve valor político e simbólico relevante, mantendo viva a cooperação multilateral em um momento de fragmentação geopolítica internacional, marcado por conflitos armados e crescente polarização entre grandes potências.

Para movimentos indígenas e ambientalistas presentes em Belém, a COP30 também serviu como palco de protestos e reivindicações por maior participação nas decisões que afetam diretamente seus territórios. Diversas manifestações ocorreram nos arredores do centro de convenções durante os onze dias de evento, cobrando compromissos mais firmes de demarcação de terras e combate ao desmatamento ilegal na Amazônia Legal.

O balanço final da conferência reforça um dilema recorrente das COPs recentes: a dificuldade em transformar consenso científico sobre a urgência climática em compromissos políticos efetivamente vinculantes, mesmo quando o evento ocorre em um território de forte apelo simbólico como a floresta amazônica.

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