Congresso derruba vetos de Lula e aprofunda crise com o Planalto
Sessão conjunta reverteu 56 trechos vetados da Lei do Licenciamento Ambiental e do Propag, em meio a embate com o centrão

Brasília voltou a ser palco de um confronto institucional de alta voltagem na última quinta-feira, 27 de novembro. Em sessão conjunta do Congresso Nacional, deputados e senadores derrubaram 56 trechos vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, além de vetos ao Programa de Propostas de Ajuste Fiscal (Propag), que trata da renegociação de dívidas de estados com a União.
Entre os pontos restabelecidos está a permissão de licenças ambientais simplificadas para empreendimentos considerados de baixo potencial poluidor — mecanismo que o governo federal e entidades ambientalistas classificam como retrocesso na fiscalização de impactos socioambientais. O Palácio do Planalto havia feito apelo direto a líderes partidários pela manutenção dos vetos, mas não conseguiu reverter o quadro de isolamento político que se consolidou ao longo do segundo semestre.
A derrota se soma a uma sequência de reveses sofridos pelo governo nas últimas semanas. Segundo análises publicadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e G1, o Executivo perdeu força de articulação após o desgaste provocado por disputas orçamentárias e pela insatisfação de parte da base aliada com a distribuição de emendas parlamentares. Parlamentares do chamado centrão — PP, Republicanos, União Brasil e PSD — vêm atuando de forma mais coesa desde outubro, ampliando a pressão sobre ministros e sobre a articulação política do Palácio.
O clima de desgaste é agravado pela proximidade do ano eleitoral. Segundo analistas ouvidos pela imprensa nacional, 2026 já began a pautar decisões estratégicas dentro do Congresso, com parlamentares priorizando compromissos com bases eleitorais regionais em detrimento da agenda do governo federal. A oposição, por sua vez, tem explorado o momento para acusar o Planalto de perda de controle sobre o próprio campo político, embora análises apontem que o called "esquecimento" do nome de Jair Bolsonaro nas disputas recentes também sinalize um recuo natural do tema nas prioridades legislativas.
Para especialistas em Ciência Política consultados por veículos como Metrópoles, a derrubada de vetos representa mais um capítulo de um processo mais amplo de reacomodação de forças entre Executivo e Legislativo, num contexto em que o Congresso busca ampliar sua autonomia normativa em áreas sensíveis, como meio ambiente e finanças públicas. O resultado prático é um enfraquecimento da capacidade de veto presidencial como instrumento de negociação, historicamente um dos principais trunfos do Executivo brasileiro.
O governo já sinaliza que buscará judicializar parte das mudanças aprovadas, sobretudo os trechos relativos ao licenciamento simplificado, que podem ser questionados no Supremo Tribunal Federal sob a alegação de inconstitucionalidade material por afronta ao princípio da precaução ambiental. Enquanto isso, a expectativa em Brasília é de que o embate entre Planalto e Congresso continue a se intensificar nas próximas sessões legislativas, especialmente à medida que se aproxima a votação do Orçamento de 2026 e das discussões sobre a reforma administrativa, ainda travada nas comissões da Câmara dos Deputados.
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