Atividade econômica cresce no início de 2026, mas ritmo perde força em fevereiro

Indicadores do Banco Central e da FGV mostram avanço puxado por serviços e indústria, enquanto importações recuam

Por Marina Coutinho Salgado· 05 de janeiro de 2026· 5 min de leitura
Atividade econômica cresce no início de 2026, mas ritmo perde força em fevereiro

Foto: Paulo Rená da Silva Santarém / Wikimedia Commons

O ano de 2026 começou com sinais moderadamente positivos para a economia brasileira. De acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia informal do Produto Interno Bruto (PIB), a atividade cresceu 0,8% em janeiro, impulsionada principalmente pelo setor de serviços e pela indústria de transformação. O dado, divulgado em março pelo BC, reforçou a leitura de que a economia manteve fôlego mesmo diante de um cenário de juros ainda elevados e incertezas fiscais.

Na mesma linha, o Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou expansão de 0,2% em janeiro, o terceiro resultado positivo consecutivo da atividade econômica nacional. Embora mais modesto que o indicador do Banco Central — já que utiliza metodologia e base de comparação distintas —, o dado da FGV reforça a tendência de estabilidade na trajetória de crescimento, sem sinais de reversão abrupta logo no início do ano.

Por outro lado, nem todos os indicadores de janeiro foram favoráveis. Reportagem do Valor Econômico mostrou que as importações brasileiras recuaram 9,8% no mês, refletindo o que economistas classificaram como perda de força da demanda interna. A queda nas compras externas é vista como um termômetro sensível do consumo doméstico e da atividade industrial, já que grande parte dos insumos importados abastece cadeias produtivas nacionais.

No campo fiscal, a Receita Federal divulgou, também em fevereiro, sua análise mensal referente a janeiro de 2026, sob responsabilidade do secretário especial Robinson Sakiyama Barreirinhas. O documento técnico, elaborado pela equipe do Ministério da Fazenda comandado por Fernando Haddad, detalhou o comportamento da arrecadação federal no primeiro mês do ano, tradicionalmente marcado por sazonalidades como o recolhimento de tributos sobre o 13º salário e ajustes de início de exercício.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em nota técnica assinada pelo analista Sérgio Fonseca Ferreira e divulgada em 11 de fevereiro, apresentou estimativa preliminar do resultado primário do governo central relativo a janeiro. O documento integra a Carta de Conjuntura número 70 do instituto e serve como um dos principais termômetros para acompanhar o cumprimento das metas fiscais estabelecidas pelo arcabouço em vigor desde 2023.

Analistas de mercado consultados por veículos econômicos avaliam que o conjunto de indicadores de janeiro sugere uma economia em compasso de espera: crescendo, mas em ritmo mais moderado do que em 2025, à medida que os efeitos da política monetária restritiva do Banco Central seguem sendo sentidos pelas famílias e empresas. A perspectiva para os próximos meses, segundo economistas ouvidos pela imprensa especializada, depende fortemente da trajetória da inflação e da evolução das discussões orçamentárias em ano eleitoral, que tendem a pressionar o gasto público e, por consequência, as contas nacionais.

O Ministério da Fazenda mantém a expectativa de que o país feche 2026 com crescimento moderado do PIB, ainda que abaixo dos patamares observados em anos anteriores, refletindo o ajuste fino entre estímulo à atividade econômica e compromisso com a responsabilidade fiscal em meio ao calendário eleitoral que se intensifica ao longo do ano.

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