Hospital da Criança de Brasília entra na mira do Ministério da Saúde após atraso em repasses

Auditoria federal avalia unidade que chegou a fechar leitos de UTI em dezembro; Ibaneis Rocha promete 'cinto apertado' nos gastos de 2026

Por Camila Andrade Nogueira· 14 de janeiro de 2026· 4 min de leitura
Hospital da Criança de Brasília entra na mira do Ministério da Saúde após atraso em repasses

Foto: RDNE Stock project / Pexels

A crise no Hospital da Criança de Brasília (HCB) ganhou novo capítulo em janeiro de 2026, com a realização de uma vistoria do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), vinculado ao Ministério da Saúde. Segundo reportagem do g1 DF publicada em 21 de janeiro, a visita técnica ocorreu após denúncias do Conselho de Saúde do Distrito Federal sobre o atraso nos repasses financeiros do governo local à unidade, que é referência em atendimento pediátrico de alta complexidade na capital federal e recebe pacientes de todo o Centro-Oeste.

A situação já vinha se arrastando desde dezembro de 2025, quando o hospital chegou a suspender parte de seus atendimentos e fechar leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em razão da falta de recursos. Diante da gravidade do quadro, o Ministério da Saúde sinalizou a possibilidade de abertura de uma auditoria formal para apurar as causas dos atrasos e eventuais responsabilidades na gestão dos repasses ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), responsável pela administração da unidade.

Em entrevista à TV Globo, publicada pelo g1 em 7 de janeiro, o governador Ibaneis Rocha reconheceu as dificuldades financeiras e afirmou que o governo distrital precisará “manter o cinto apertado” nos gastos com saúde ao longo de 2026. Segundo o governador, o orçamento não conseguiu acompanhar o crescimento das despesas, agravado pelo aumento no preço de insumos hospitalares e por um desequilíbrio identificado no contrato firmado com o Iges-DF, entidade que assumiu a gestão de diversas unidades de saúde da rede pública distrital nos últimos anos.

A crise no Hospital da Criança expôs, mais uma vez, as fragilidades do modelo de gestão compartilhada da saúde pública no Distrito Federal, que combina recursos do governo local, repasses federais do SUS e contratos com organizações sociais de saúde. Para especialistas em gestão hospitalar ouvidos pela imprensa local, o episódio reforça a necessidade de maior transparência na execução orçamentária da área, especialmente em uma unidade de alta relevância para a população infantil da região.

Além da questão orçamentária, janeiro também trouxe outro desafio para a saúde pública do DF: o aumento expressivo de casos de influenza. Segundo reportagem do portal PDNews, os casos da doença subiram 146% no período, levando a Secretaria de Saúde do Distrito Federal a reforçar campanhas de vacinação contra a gripe, incluindo mutirões especiais aos sábados e domingos em diferentes regiões administrativas, conforme noticiado pelo Imprensa Pública.

A combinação entre crise financeira em unidades de referência e aumento de doenças respiratórias sazonais colocou a pasta da Saúde do DF sob forte pressão logo no início do ano. Representantes do Conselho de Saúde do Distrito Federal cobraram do governo local um plano mais claro de regularização dos repasses e garantias de que serviços essenciais, como os oferecidos pelo Hospital da Criança, não sofrerão novas interrupções ao longo de 2026, ano em que a gestão Ibaneis Rocha se encerra em meio a expectativas eleitorais para o comando do Distrito Federal.

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