CCBB e Caixa Cultural movimentam agenda teatral de Brasília em fevereiro

Espetáculos 'Saudade', do Grupo Os Geraldos, e 'Bertoldo, o Tubarão que Queria Ser Gente' marcam programação cultural da capital

Por Beatriz Andrade Sampaio· 19 de fevereiro de 2026· 4 min de leitura
CCBB e Caixa Cultural movimentam agenda teatral de Brasília em fevereiro

Foto: Daderot / Wikimedia Commons

O calendário cultural de Brasília em fevereiro de 2026 foi marcado por uma programação teatral diversa, que reuniu desde espetáculos infantis premiados até montagens adultas voltadas à reflexão sobre memória e perda. Dois espaços tradicionais da capital, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e a Caixa Cultural Brasília, concentraram parte significativa dessa agenda.

A partir de 25 de fevereiro, o CCBB Brasília passou a receber a temporada do espetáculo "Saudade", nova montagem do paulista Grupo Os Geraldos, com concepção e direção de Douglas Novais, dramaturgia assinada por Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro, e direção musical de Everton Gennari. A peça, que combina música ao vivo e elementos do teatro popular brasileiro, propõe uma reflexão sobre a fragilidade da vida e a força das memórias afetivas, tema que dialoga diretamente com o repertório sensível que já caracteriza a trajetória do grupo. A temporada segue em cartaz até 8 de março, com sessões que têm atraído público de diferentes faixas etárias ao espaço cultural situado no Setor Comercial Sul.

Já na Caixa Cultural Brasília, o destaque de início de mês ficou por conta do musical infantil "Bertoldo, o Tubarão que Queria Ser Gente", apresentado entre os dias 5 e 13 de fevereiro pela Buia Teatro, companhia amazonense reconhecida nacionalmente por sua atuação no chamado "teatro de infâncias". O espetáculo, premiado em festivais de artes cênicas voltados ao público infantojuvenil, propõe uma reflexão poética sobre empatia, poder e humanidade, temas conduzidos por meio de uma narrativa lúdica ambientada no fundo do mar. A montagem contou com patrocínio institucional e reforçou o compromisso do espaço cultural com produções voltadas às crianças, um público historicamente pouco contemplado pela programação teatral tradicional da capital.

Ainda em fevereiro, a Mostra Teatral de Brasília trouxe outra atração voltada ao público infantojuvenil: a releitura em formato de cordel do clássico conto "A Bela e a Fera", batizada de "O Cordel da Bela e a Fera". Adaptada do livro de Clara Rosa Cruz Gomes, a montagem uniu a atmosfera mágica do conto de fadas original a elementos marcantes da cultura popular nordestina, com métrica e rimas tradicionais do cordel guiando toda a narrativa cênica — uma escolha estética que dialoga com o crescente interesse do público brasiliense por produções que valorizam raízes culturais regionais.

Para curadores e produtores culturais da cidade, a diversidade de propostas apresentadas em fevereiro reflete um movimento de fortalecimento das artes cênicas em Brasília, com espaços institucionais como CCBB e Caixa Cultural atuando como vitrines tanto para grupos consagrados do eixo Rio–São Paulo quanto para companhias regionais menos conhecidas do grande público, mas com relevância crescente nos circuitos de festivais nacionais.

"Brasília vem se consolidando como um polo relevante de recepção de produções teatrais de diferentes regiões do país, muito em função da presença desses equipamentos culturais que sustentam uma programação contínua e plural", avaliou uma produtora cultural da cidade consultada por esta reportagem. A expectativa do setor é que esse fluxo se mantenha ao longo do primeiro semestre, especialmente com a proximidade de festivais de teatro que tradicionalmente movimentam a agenda cultural do Distrito Federal entre março e maio.

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