Setor de serviços do DF recupera fôlego e cresce 0,8% em fevereiro
Alta reverte queda de janeiro e supera desempenho nacional, mas Distrito Federal segue com alerta fiscal por dívidas herdadas do BRB

O Distrito Federal registrou, em fevereiro de 2026, um crescimento de 0,8% no volume de serviços em relação a janeiro, já descontados os efeitos sazonais, segundo dados divulgados por institutos de pesquisa econômica regional. O resultado reverteu a queda de 2,2% observada no mês anterior e colocou o desempenho do DF acima da média nacional do setor no período, sinalizando uma retomada de curto prazo na atividade econômica da capital.
A recuperação foi puxada principalmente pelos segmentos de serviços prestados a famílias e de transporte, que se beneficiaram do aumento do fluxo de pessoas na cidade durante o período pré-carnavalesco, quando o comércio e a rede hoteleira tradicionalmente registram maior movimento. Representantes da Fecomércio DF também apontaram crescimento do varejo na capital, reforçando a leitura de uma economia local em processo de reaquecimento após um início de ano mais fraco.
Apesar do sinal positivo no setor de serviços, o cenário fiscal do governo distrital segue delicado. Segundo levantamento divulgado por veículos especializados em economia, o DF entrou em 2026 "no vermelho", com um alerta fiscal que se agravou após o Banco de Brasília (BRB) herdar um empréstimo de R$ 152,9 milhões vinculado à empresa 3D Minerals, garantido por ativos minerais cuja liquidez é questionada por analistas do setor financeiro.
A situação gerou preocupação entre parlamentares distritais e técnicos da Secretaria de Estado de Economia do DF, que já projetam desaceleração da economia brasileira como um todo no segundo trimestre de 2026, o que poderia afetar ainda mais a arrecadação local. Em documento técnico divulgado pela pasta, a Subsecretaria de Acompanhamento Econômico detalhou o comportamento da arrecadação tributária distrital referente a fevereiro, mostrando estabilidade nominal, mas com sinais de pressão sobre despesas correntes.
O governo federal, por sua vez, reduziu em R$ 10 bilhões sua previsão de arrecadação com o imposto sobre dividendos para o ano, medida que reverbera também nas contas locais, já que parte da receita distrital depende de transferências vinculadas ao desempenho da arrecadação federal. Diante desse cenário, o Executivo avalia ainda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, embora técnicos do Ministério da Fazenda reconheçam que o impacto prático de uma eventual vitória no litígio seria limitado no curto prazo.
Para economistas locais, o desafio do DF em 2026 será equilibrar o bom desempenho pontual do setor de serviços — impulsionado por eventos sazonais como o carnaval — com a necessidade de reorganizar as contas públicas distritais, especialmente diante do passivo herdado pelo BRB. "É um momento de vigilância. O crescimento do varejo e dos serviços é bem-vindo, mas não resolve, sozinho, o desequilíbrio fiscal estrutural que o governo local enfrenta", avaliou um analista do setor financeiro consultado por esta reportagem, que preferiu não se identificar.
A expectativa, segundo fontes da Secretaria de Economia, é que o comportamento da arrecadação nos próximos meses seja decisivo para definir se o Executivo distrital precisará recorrer a medidas de contenção de gastos ainda no primeiro semestre do ano.
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