Brasil condena ataques dos EUA e Israel ao Irã e defende via negociada
Itamaraty pede cautela em meio à escalada no Oriente Médio, enquanto Lula fecha acordos históricos na Coreia do Sul

O governo brasileiro reagiu no dia 28 de fevereiro aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irã, país que integra o grupo dos Brics ao lado do Brasil. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores classificou a ofensiva como uma violação do direito internacional e reafirmou que a negociação diplomática é o único caminho viável para uma solução duradoura no Oriente Médio.
A posição do Itamaraty reforça a linha de atuação que o Brasil vem adotando desde o início da escalada entre as potências ocidentais e Teerã. Segundo analistas de política externa consultados por esta reportagem, o país busca equilibrar sua proximidade histórica com os Estados Unidos e a parceria estratégica construída nos últimos anos com o Irã dentro do bloco dos Brics, evitando alinhamentos automáticos que possam comprometer sua margem de manobra diplomática.
Em reportagem publicada pela Agência Brasil, especialistas avaliaram que o Brasil deve adotar "cautela" diante do conflito, mantendo o discurso tradicional de defesa da soberania e da resolução pacífica de controvérsias internacionais, sem, no entanto, se posicionar de forma a desgastar relações bilaterais relevantes, como as mantidas com Washington em áreas comerciais e tecnológicas.
O episódio ocorreu poucos dias após um dos movimentos mais simbólicos da política externa do governo Lula neste início de 2026: a visita de Estado à Coreia do Sul, realizada em 23 e 24 de fevereiro, em Seul. Durante a viagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma série de atos bilaterais com o país asiático, abrangendo cooperação em tecnologia, energia limpa e comércio, além de discursar sobre a necessidade de reformular a governança global para dar mais voz às nações em desenvolvimento.
Em declaração à imprensa coreana, Lula classificou a parceria com Seul como "estratégica para o futuro da transição energética brasileira" e destacou o interesse mútuo em ampliar investimentos em cadeias produtivas de minerais críticos e semicondutores — pauta que ganha relevância crescente diante das tensões comerciais globais.
O Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil (OPEB) publicou, ainda em fevereiro, análise apontando uma inflexão pragmática na diplomacia brasileira, especialmente voltada à recomposição de laços na América Latina e ao fortalecimento do Mercosul. Segundo o texto assinado pelo pesquisador Alexandre Favaro Lucchesi, o Itamaraty tem priorizado acordos bilaterais objetivos em detrimento de posicionamentos ideológicos mais rígidos, buscando resultados concretos em meio a um cenário internacional cada vez mais fragmentado.
Para diplomatas de carreira ouvidos informalmente por esta reportagem, o mês de fevereiro consolidou a estratégia de "múltiplos alinhamentos" do governo Lula, que tenta se posicionar como interlocutor confiável tanto para potências ocidentais quanto para parceiros do Sul Global, num equilíbrio que deve ser testado nos próximos meses conforme o conflito no Oriente Médio evolui e pressiona o Brasil a definir posições mais claras em fóruns multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU.
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