CPI aprova quebra de sigilo de Lulinha em sessão tumultuada no Congresso
Governistas contestam condução da presidência da comissão e ameaçam pedir anulação do resultado

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga supostas irregularidades ligadas ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu, no dia 26 de fevereiro, uma de suas sessões mais tensas desde a instalação dos trabalhos. Por maioria apertada, os membros do colegiado aprovaram a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lulinha, filho mais velho do presidente, provocando reação imediata da bancada governista.
O tumulto começou minutos após a proclamação do resultado, quando parlamentares favoráveis ao governo se levantaram e cercaram a mesa diretora, exigindo explicações sobre a contagem dos votos. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) chegou a discursar em tom exaltado, afirmando que buscaria a anulação da votação por suposta manobra regimental na condução dos trabalhos pela presidência da comissão.
O presidente da CPI negou publicamente qualquer tentativa de manipulação do processo. "Não houve manobra. Contei duas vezes", disse, em declaração à imprensa logo após o encerramento da sessão, reforçando que o procedimento seguiu as regras do colegiado e que eventuais contestações deveriam ser encaminhadas por via regimental, não por protesto em plenário.
A quebra de sigilo de Lulinha ocorre em meio a um cenário político já bastante aquecido em Brasília. No mesmo período, o Congresso discutia também a tramitação da CPMI do INSS, cujo relatório final resultou justamente na aprovação que gerou a crise. Parlamentares governistas apostam agora na atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para reverter ou anular a deliberação, evitando que o caso avance para instâncias judiciais. O governo, por sua vez, descartou judicializar o tema, preferindo uma solução política dentro do próprio parlamento.
A crise em torno do caso Lulinha se soma a outro imbróglio que também travou o andamento dos trabalhos legislativos na mesma semana: a disputa entre o Centrão e a oposição sobre a redução de penas do ex-presidente Jair Bolsonaro, discutida no âmbito do chamado "caso Master". A cúpula do Legislativo tentava, até o fechamento desta edição, costurar um acordo com os aliados do ex-presidente, sem que houvesse definição sobre os termos da proposta.
Analistas políticos ouvidos por esta reportagem avaliam que o episódio expõe o desgaste crescente entre a base governista e setores da oposição no Congresso, num ano marcado pela proximidade das eleições municipais de 2026 e por disputas em torno de temas sensíveis, como o financiamento de campanhas e o controle de comissões estratégicas. A repercussão da votação já reverbera entre lideranças partidárias em Brasília, que preveem uma disputa acirrada pela relatoria final dos trabalhos da CPI nas próximas semanas.
Enquanto isso, o Senado avançou em outra pauta relevante no mesmo período: a aprovação de projeto que classifica como estupro qualquer relação com menor de 14 anos, independentemente de consentimento, medida que ganhou força após repercussão nacional de decisão judicial em Minas Gerais. O texto, aprovado por ampla maioria, segue agora para sanção presidencial, num raro momento de consenso em meio às tensões que marcaram o mês na Casa.
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