DF inicia vacinação de profissionais de saúde contra a dengue, mas meta para adolescentes segue distante

Distrito Federal recebeu 3,5 mil doses do imunizante de dose única do Butantan; público de 10 a 14 anos ainda está bem abaixo da meta de 90%

Por Patrícia Nogueira Ribeiro· 14 de fevereiro de 2026· 5 min de leitura
DF inicia vacinação de profissionais de saúde contra a dengue, mas meta para adolescentes segue distante

Foto: RDNE Stock project / Pexels

O Distrito Federal deu início, em fevereiro, a uma nova etapa da campanha de vacinação contra a dengue, voltada desta vez aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). No dia 11 de fevereiro, o Ministério da Saúde anunciou o começo da imunização de 8,2 mil trabalhadores da rede pública distrital, com o envio inicial de 3,5 mil doses de um imunizante 100% nacional, produzido pelo Instituto Butantan, e que tem como principal diferencial a aplicação em dose única.

A vacinação começou efetivamente no dia 19 de fevereiro, quando as primeiras doses foram administradas em unidades de saúde da capital. Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a estratégia prioriza trabalhadores que atuam diretamente no atendimento a pacientes com sintomas da doença, considerados grupo de maior exposição ao vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, especialmente em um período do ano marcado por chuvas intensas e maior proliferação do vetor.

Apesar do avanço na imunização dos profissionais de saúde, dados divulgados pela mesma secretaria no dia 19 de fevereiro revelaram um cenário preocupante em outro grupo prioritário da campanha: crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Segundo levantamento, o Distrito Federal segue bem abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para a aplicação da primeira dose do imunizante voltado a essa faixa etária — que, diferentemente do aplicado aos profissionais, exige duas doses com intervalo de 90 dias entre elas.

A Secretaria de Saúde do DF orientou pais e responsáveis a levarem os adolescentes às salas de vacina com documento de identificação e caderneta de vacinação em mãos, reforçando a importância de completar o esquema vacinal dentro do prazo recomendado para garantir a eficácia da proteção. Unidades de saúde em diversas regiões administrativas, incluindo Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Plano Piloto, foram apontadas como pontos de reforço para tentar reverter o baixo índice de adesão.

Especialistas em saúde pública ouvidos por esta reportagem apontam que a defasagem na cobertura entre adolescentes pode estar relacionada a fatores como a volta às aulas, que costuma dificultar o deslocamento das famílias até os postos de vacinação, além de um possível desconhecimento sobre a necessidade das duas doses. "A vacina de dose única para adultos facilita bastante a logística, mas no público adolescente ainda enfrentamos o desafio clássico de garantir o retorno para a segunda dose", avaliou uma infectologista consultada informalmente pela reportagem.

O contexto epidemiológico reforça a urgência da campanha: o Distrito Federal historicamente registra picos de casos de dengue entre os meses de fevereiro e abril, período de maior calor e umidade após o verão. A Secretaria de Saúde já havia intensificado, em janeiro, ações de combate a criadouros do mosquito em regiões administrativas com maior incidência de notificações, mas técnicos reconhecem que a vacinação em massa é hoje a principal aposta para reduzir a pressão sobre a rede hospitalar nos próximos meses, especialmente em um cenário de imunizante nacional e de produção ampliada pelo Butantan, o que deve facilitar a distribuição de novas remessas ao longo do primeiro semestre de 2026.

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