Campanha de vacinação contra influenza começa com 15 milhões de doses distribuídas
Ministério da Saúde antecipa mobilização nacional em meio a alta de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em quase todos os estados

O Ministério da Saúde deu início, no sábado, 28 de março de 2026, à Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, com mais de 15 milhões de doses já distribuídas às redes estaduais e municipais de saúde. A mobilização abrangeu inicialmente as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, priorizando a imunização antes do período de maior circulação do vírus da gripe, historicamente concentrado entre o outono e o inverno no hemisfério sul.
A antecipação da campanha respondeu a um cenário de crescimento consistente nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o território nacional. Segundo o informe epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente referente à Semana Epidemiológica 11, todos os estados brasileiros apresentaram sinal de aumento na tendência de longo prazo dos casos, com 22 unidades federativas — concentradas nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste — classificadas em níveis de alerta, risco ou alto risco.
O boletim seguinte, correspondente à Semana Epidemiológica 12 e divulgado em 28 de março, reforçou a tendência: a maioria das unidades federativas dessas mesmas regiões manteve classificação de atenção elevada, com aumento consistente das hospitalizações por SRAG em todo o país. Técnicos do Ministério da Saúde atribuíram o quadro principalmente à circulação simultânea de vírus respiratórios, entre eles influenza, vírus sincicial respiratório e, em menor escala, variantes da covid-19, em um padrão sazonal que se tornou mais previsível nos últimos anos, mas que ainda exige resposta rápida do sistema público de saúde.
Em paralelo à campanha de influenza, o mês de março também foi marcado pela mobilização do Março Azul, iniciativa voltada à conscientização sobre o câncer colorretal. Segundo dados da Agência Brasil, o número de exames de pesquisa de sangue oculto nas fezes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou em relação a períodos anteriores, com o maior volume de procedimentos registrado no estado de São Paulo. O aumento é atribuído tanto a campanhas de conscientização quanto à ampliação da oferta de exames em unidades básicas de saúde.
O Ministério da Saúde publicou ainda, em edição especial de março, o Boletim Epidemiológico de Tuberculose 2026, documento que reúne indicadores nacionais sobre incidência, mortalidade e cobertura de tratamento da doença, elaborado pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. O material serve de base para o planejamento de ações de vigilância em saúde ao longo do ano.
Especialistas em saúde pública consultados por veículos especializados destacam que a coincidência entre o avanço da SRAG e o início mais tardio da campanha de vacinação em algumas regiões pode ter contribuído para o aumento das internações observado em março. Recomenda-se à população, especialmente idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com comorbidades, que procurem os postos de saúde para atualizar o calendário vacinal o quanto antes, já que a proteção plena contra a influenza leva, em média, duas semanas após a aplicação da dose para se consolidar no organismo.
A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar a cobertura vacinal ao longo de abril, com metas específicas para grupos prioritários, em um esforço para reduzir a pressão sobre hospitais e unidades de pronto atendimento em todo o país durante o outono e o inverno de 2026.
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