DF cria mais de 4,1 mil empregos com carteira assinada em abril, mas estudo aponta fragilidade fiscal histórica

Setor de serviços puxa geração de vagas, enquanto ObservaDF revela que Distrito Federal tem o quarto pior caixa do país

Por Marcos Vinícius Tavares· 10 de abril de 2026· 5 min de leitura
DF cria mais de 4,1 mil empregos com carteira assinada em abril, mas estudo aponta fragilidade fiscal histórica

Foto: Agência Brasília / Wikimedia Commons

O mercado de trabalho formal do Distrito Federal manteve o ritmo de aquecimento em abril de 2026, registrando a criação líquida de mais de 4,1 mil empregos com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O setor de serviços foi o principal responsável pela expansão, com destaque para contratações de mulheres e jovens, que lideraram os índices locais de admissão no período.

Os números foram divulgados em meio a um cenário misto para a economia local. Ainda em abril, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE apontou recuo de 5,5% no volume de serviços do DF na comparação com março, embora o setor mantenha acumulado de alta de 8,6% nos últimos 12 meses — desempenho quase três vezes superior à média nacional, de 2,9%, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF). Para o presidente da entidade, José Aparecido Freire, a queda mensal não compromete a trajetória de crescimento consolidada ao longo do ano.

No mesmo mês, o Distrito Federal também registrou a menor inflação entre todas as unidades da federação, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE. A queda nos preços de transportes foi apontada como o principal fator para o resultado, embora produtos específicos, como o melão, tenham registrado forte alta de 12,57% no período.

Por outro lado, um estudo do ObservaDF, vinculado à Universidade de Brasília (UnB), lançou luz sobre a fragilidade estrutural das contas públicas locais. O relatório aponta que o Distrito Federal iniciou 2026 com o quarto pior caixa entre todos os estados e o próprio DF do país, quadro que remonta a 2015 e que foi agravado nos últimos meses pela crise financeira do Banco de Brasília (BRB). Segundo o levantamento, o orçamento distrital segue pressionado, com risco fiscal relevante associado à instituição financeira controlada pelo governo local.

Um parecer técnico divulgado em abril pela Secretaria de Fazenda do DF reforçou esse diagnóstico, ao afirmar que o governo distrital não reúne condições fiscais para contratar um empréstimo destinado a socorrer o BRB, dada a magnitude do desequilíbrio nas contas públicas. A informação, revelada por reportagem do jornal Estadão, alimentou um debate na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sobre alternativas para o saneamento da instituição, incluindo eventual reestruturação societária ou busca de novos aportes de capital.

Especialistas em finanças públicas ouvidos por veículos locais avaliam que o contraste entre a geração de empregos e o desequilíbrio fiscal ilustra um momento de transição para a economia do Distrito Federal: enquanto o setor produtivo local segue em expansão, sustentado principalmente pelos serviços e pelo funcionalismo público, a estrutura fiscal do governo enfrenta desafios crescentes que devem exigir decisões impopulares nos próximos meses, especialmente em relação ao futuro do Banco de Brasília.

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