Governo fecha abril com superávit de R$ 25,2 bilhões, o melhor resultado do mês em quatro anos
Tesouro Nacional aponta receita líquida crescendo acima das despesas, enquanto Monitor do PIB da FGV mostra atividade em alta

O governo central encerrou abril de 2026 com superávit primário de R$ 25,2 bilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado superou a projeção do mercado financeiro e representou o melhor desempenho para o mês em quatro anos, alimentando um discurso mais otimista da equipe econômica sobre a trajetória fiscal do país.
De acordo com o relatório do Tesouro, a melhora nas contas públicas foi puxada pelo crescimento da receita líquida em ritmo superior ao das despesas, movimento também observado em fevereiro deste ano na série histórica. Entre os fatores que explicam o resultado estão o aumento da arrecadação de tributos federais, em especial os ligados à atividade econômica e ao consumo, além de um controle mais rígido de despesas discricionárias por parte dos ministérios.
O desempenho fiscal veio acompanhado de sinais positivos sobre o ritmo da atividade econômica. O Monitor do PIB, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontou alta de 0,7% na atividade em abril na comparação com março, indicador que reforça a leitura de uma recuperação gradual da economia brasileira ao longo do primeiro semestre de 2026. No trimestre móvel encerrado em abril, o mesmo indicador mostrou expansão de 1,8%, com alta acumulada de 2% em 12 meses.
Economistas consultados por veículos especializados destacam que a combinação de superávit fiscal e crescimento da atividade é vista com cautela por parte do mercado, que ainda monitora de perto a trajetória da dívida pública bruta e o comportamento da taxa de juros definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Ainda assim, o resultado de abril foi recebido como um indicativo de que o ajuste fiscal conduzido pela equipe econômica começa a produzir efeitos consistentes.
Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada em julho como parte da Carta de Conjuntura, avaliou que a economia brasileira iniciou 2026 com desempenho mais favorável do que o antecipado, combinando crescimento acima do esperado na indústria, no comércio e no setor de serviços. Segundo o técnico do Ipea Leonardo Mello de Carvalho, autor do estudo, os indicadores mensais de abril reforçam essa leitura mais positiva sobre o primeiro quadrimestre do ano.
Apesar do quadro fiscal favorável, analistas de mercado alertam que o cenário eleitoral de 2026 pode gerar volatilidade nos próximos meses, à medida que o debate público se intensifica em torno de propostas de política econômica dos principais candidatos à Presidência da República. O comportamento do dólar, que fechou o período em torno de R$ 5,17, e do Ibovespa, próximo dos 168 mil pontos, também será monitorado de perto como termômetro da confiança dos investidores diante do novo ciclo político que se aproxima.
Para a equipe econômica do governo, o resultado de abril funciona como argumento central na defesa da política fiscal adotada desde o início do mandato, em contraposição às críticas de setores da oposição que apontam risco de descontrole das contas públicas no médio prazo.
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