GDF e União fecham acordo no STF para socorro de R$ 6,5 bilhões ao BRB

Operação prevê financiamento do FGC ao governo distrital, com garantia de bancos privados e sem uso direto de recursos da União

Por Cláudio Reisenberg· 10 de maio de 2026· 6 min de leitura
GDF e União fecham acordo no STF para socorro de R$ 6,5 bilhões ao BRB

Foto: Agência Brasília / Wikimedia Commons

Valor investido na política pública
R$ 6.500.000.000

O mês de maio de 2026 foi decisivo para o desfecho de uma das maiores crises financeiras enfrentadas pelo Governo do Distrito Federal nos últimos anos. Após duas rodadas de negociação conduzidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal, o GDF e a União fecharam um acordo que viabiliza um socorro financeiro de R$ 6,5 bilhões ao Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo distrital que enfrentava dificuldades de liquidez relacionadas à sua exposição em operações de crédito e à instabilidade fiscal do próprio DF.

Segundo informações divulgadas por veículos que cobrem o Distrito Federal, a operação será estruturada por meio de financiamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) diretamente ao governo distrital, contando ainda com garantias oferecidas por bancos privados. Um ponto destacado pelas autoridades envolvidas nas negociações é que o desenho da operação evita o uso direto de recursos da União, o que reduz o risco de contestação por parte de outros entes federativos e minimiza o impacto sobre o orçamento federal em um ano marcado por forte pressão fiscal em todas as esferas de governo.

O acordo, no entanto, não resolve por completo os problemas estruturais das contas públicas do DF. Em entrevista concedida à TV Globo um dia após o fechamento do entendimento no STF, o secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, afirmou que o pacto relacionado ao BRB não altera as medidas já em curso para lidar com o rombo fiscal do governo local, que segundo ele pode chegar a R$ 5 bilhões até o fim do ano. Oliveira reconheceu ainda que diversas áreas da administração distrital iniciaram 2026 sem orçamento suficiente para cobrir despesas correntes, um sinal do grau de comprometimento das finanças locais.

O cenário fiscal preocupante já havia sido antecipado por especialistas ouvidos no início de maio, que apontaram um déficit projetado de até R$ 4 bilhões até o final do ano e defenderam a necessidade de ajuste imediato combinado com reformas estruturais mais profundas a partir de 2027. Entre as recomendações discutidas por economistas consultados pela imprensa distrital estão a revisão de despesas com pessoal, o aperto no controle de renúncias fiscais e a modernização da gestão de dívida do governo local.

Apesar do cenário desafiador, a Secretaria de Economia do DF mantém uma meta ambiciosa: encerrar 2026 com superávit de R$ 2 bilhões nas contas públicas, projeção apresentada durante audiência pública de prestação de contas na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Para alcançar esse objetivo, a equipe econômica do governador aposta em um pacote de ajuste fiscal que combina corte de despesas discricionárias com medidas de reforço de arrecadação, ainda em fase de detalhamento junto aos deputados distritais.

Um dado que trouxe algum alívio ao humor econômico da capital federal em maio foi o desempenho do comércio varejista, que registrou alta de 1,6% na comparação com abril, segundo levantamento divulgado por veículos especializados em economia regional. O resultado representa uma retomada do crescimento após meses de estagnação nas vendas, impulsionada, segundo analistas, por uma leve melhora na confiança do consumidor e por promoções sazonais no período que antecede o meio do ano.

O desfecho da operação de socorro ao BRB, somado ao esforço fiscal anunciado pelo governo distrital, deve ser um dos temas centrais do debate econômico em Brasília nos próximos meses, especialmente diante da proximidade das eleições estaduais e distritais de outubro, quando a gestão fiscal do DF tende a ganhar ainda mais protagonismo no debate público.

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