EUA e Irã negociam prorrogação de trégua após três meses de guerra no Oriente Médio
Memorando discutido entre as partes prevê extensão do cessar-fogo por 60 dias enquanto aguarda aprovação final de Donald Trump

O conflito entre Estados Unidos e Irã completou, no final de maio de 2026, três meses de duração, período marcado por trocas de ataques, um impasse militar prolongado e pressão crescente sobre a economia global. Após semanas de escalada, que incluíram uma ofensiva iraniana contra uma base americana no Kuwait em resposta a um ataque atribuído pelo Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) a Washington, as duas partes sinalizaram, na última semana do mês, avanços concretos rumo a uma trégua mais duradoura.
Segundo informações obtidas por agências internacionais e reproduzidas pela imprensa brasileira, um memorando teria sido acertado entre negociadores americanos e iranianos prevendo a extensão do cessar-fogo por 60 dias, período em que as partes se comprometeriam a discutir o futuro do programa nuclear de Teerã. O acordo, no entanto, ainda dependeria da aprovação final do presidente Donald Trump, conhecido por posições oscilantes em relação às negociações com o regime iraniano ao longo do conflito.
Analistas ouvidos por publicações econômicas descartam a tese, defendida publicamente por Trump em diferentes momentos, de que os Estados Unidos teriam alcançado uma vitória definitiva sobre o Irã. A avaliação predominante entre especialistas em geopolítica é a de que o conflito atingiu um ponto crítico de impasse, no qual nenhuma das partes demonstra disposição real para ceder posições estratégicas, mesmo diante do desgaste militar e econômico acumulado ao longo dos últimos noventa dias.
Os efeitos da guerra sobre a economia mundial já são sentidos de forma direta. A instabilidade na região, historicamente sensível por concentrar rotas críticas de exportação de petróleo, tem contribuído para a volatilidade nos preços de commodities energéticas, com reflexos sobre a inflação em diversas economias, inclusive a brasileira. No Brasil, o mercado financeiro acompanhou de perto os desdobramentos do conflito ao longo de maio, com o dólar comercial oscilando na casa dos R$ 5,11 e o Ibovespa registrando variações atribuídas, em parte, à cautela dos investidores diante do cenário internacional.
O episódio da base no Kuwait, ocorrido na madrugada de 28 de maio, elevou momentaneamente o temor de uma escalada ainda maior do conflito, com risco de envolvimento de outros países da região. A resposta iraniana veio horas depois de os Estados Unidos realizarem o que classificaram como uma operação pontual com drones contra alvos estratégicos iranianos, em mais um capítulo de uma guerra que já superou a duração inicialmente prevista por boa parte dos analistas militares.
Diplomatas de países terceiros, entre eles nações do Golfo Pérsico e representantes da União Europeia, têm atuado como intermediários informais nas tratativas, na tentativa de evitar que o conflito se espalhe para além das fronteiras já afetadas. A perspectiva de uma trégua de 60 dias é vista por parte da comunidade internacional como uma janela de oportunidade para reconstruir canais de diálogo mais amplos, embora ainda existam fortes dúvidas sobre a viabilidade de um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.
Para o Brasil, que mantém relações comerciais relevantes com diversos países da região e depende da estabilidade dos preços internacionais de energia para o controle da inflação doméstica, o desfecho das negociações entre Washington e Teerã será acompanhado com atenção redobrada nas próximas semanas, especialmente pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central, que já incorporaram o risco geopolítico às suas projeções para o segundo semestre de 2026.
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